Valadão: luta pelos grupos historicamente excluídos

Políticas para mulheres, negros, crianças, juventude, população com deficiência e LGBTQIA+ estão entre as prioridades do mandato de Camila Valadão

Por João Caetano Vargas, com edição de Nicolle Expósito | Atualizado há 11 dias

Mulher de pele negra, cabelos encaracolados, sorrindo, de braços cruzados
Com votação histórica, Camila Valadão defende ações voltadas para defesa de direitos sociais / Foto: Mayara Donaria/Instituto Marielle Franco

Ela é a mulher mais votada da história política do Espírito Santo para o Legislativo capixaba. Eleita deputada estadual com 52.221 votos, Camila Valadão (Psol) chega à Assembleia Legislativa (Ales) com grandes desafios. Nascida em Vitória e criada no bairro de Laranjeiras, na Serra, possui formação em serviço social e é doutora em Políticas Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 

No Legislativo estadual, a deputada eleita pretende atuar com base nos eixos abordados em sua campanha, durante o período eleitoral. “A gente pautou muito a importância de ter políticas para as populações que são historicamente excluídas dos espaços de poder e que são as mais impactadas pelas desigualdades: como as mulheres, o povo negro, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência, crianças e juventude”, pontua.

“Além disso, a gente pautou vários temas vinculados às políticas sociais, então a nossa defesa principal vai ser a ampliação de direitos e o fortalecimento das políticas públicas nas diferentes áreas”, complementa.

Desafios do mandato

Camila prevê um mandato com grandes barreiras pelo fato de ser mulher. “Penso que um dos grandes desafios que nós teremos na Assembleia, como em todos os espaços do Parlamento, sem dúvida, é o fato de ser uma mulher. Portanto, ser impactada em virtude das desigualdades, da violência de gênero. (...) Foi assim na Câmara de Vitória e acredito que também será na Assembleia”, avalia.

A assistente social de 38 anos, porém, sabe como pretende enfrentar esse obstáculo. “Reivindicando direitos e garantias para as mulheres nos espaços políticos, igualdade. Denunciando as tentativas de violência, cerceamento, nós esperamos que isso não aconteça no espaço do Legislativo estadual. Esperamos que tenha mais decoro na Assembleia Legislativa. Enfrentamos muito a falta de decoro, pra dizer o mínimo, na Câmara de Vitória”, lamenta.

Vida pública

Foi ainda na Ufes que a assistente social iniciou seu engajamento político, militando no Centro Acadêmico de Serviço Social e no Diretório Central dos Estudantes (DCE). Também atuou em movimentos de defesa dos direitos humanos, das mulheres e da juventude. Foi presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Espírito Santo e é militante do Psol desde 2005.

Em 2014, foi candidata ao governo do Estado pelo partido. Em 2016 foi a quinta vereadora mais votada de Vitória, mas acabou não se elegendo por conta do coeficiente eleitoral. Sua primeira tentativa de chegar ao Legislativo capixaba foi em 2018, alcançando mais de 16 mil votos e novamente batendo na trave, ficando de fora por conta do coeficiente.

Em 2020, finalmente consegue seu primeiro êxito nas urnas, eleita como a segunda vereadora mais votada da capital capixaba. Nas eleições do ano passado chegou à Ales com votação expressiva, que entrou para a história. “Acho que essa votação demonstra o compromisso com essa trajetória política, com coerência e com princípios”, avalia.

Projetos

A expectativa de Camila é já iniciar os trabalhos no Legislativo com alguma proposta protocolada na Casa. “A gente ainda está conversando com o nosso conselho político do mandato, mas a nossa ideia é iniciar o mandato apresentando um ponto de pauta a fim de ser debatido. Portanto, um projeto de lei, começar o mandato protocolando algum projeto. Não tenho isso definido ainda, mas a gente pretende discutir e definir até o início de fevereiro”, comenta.

Comissões

Os eleitores devem esperar que a deputada, que tomará posse no dia 1º de fevereiro, componha uma ou mais comissões da Casa. “A gente ainda está discutindo qual a melhor comissão, mas vale ressaltar que, historicamente, a gente vem tendo uma atuação importante na defesa dos direitos humanos. Portanto, comissões que lidam com essa área para nós é importante”, revela. 

A estreante no Legislativo estadual não descarta também a hipótese de presidir um colegiado. “Também a gente vem pautando uma atuação importante na área da saúde, da educação, da assistência, das políticas sociais, de maneira geral. Então a gente espera, quem sabe, ocupar e até presidir comissões que tenham relações diretas com essas temáticas”, aponta.

Relação com o governo

Sobre a relação com o Executivo, Camila não fica em cima do muro. “Vale dizer que nós apoiamos a candidatura do Renato Casagrande (PSB), o atual governador, no segundo turno. Portanto, nós temos interesse, sim, que esse governo dê certo, que ele tenha políticas que façam avançar o nosso estado”, afirma. 

Entretanto, a deputada eleita pretende manter a coerência com o direcionamento de seu mandato. “Mas nós também não temos compromisso com o erro, então a nossa atuação no Legislativo será pautada naquilo que a gente acha que é importante, necessário para a população do Espírito Santo”, pondera.

Para manter esse equilíbrio, Valadão pretende assumir uma postura de independência política no Parlamento. “Votando em matérias que correspondam ao interesse da população e também não votando e denunciando matérias que não vão de acordo com esses interesses. Então a gente pretende ter sim uma postura de independência, no sentido de escolher votar naquilo que nós temos convicção política que é o melhor”, finaliza.

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