Violência na periferia repercute em plenário

Em discurso na sessão, o deputado Sergio Majeski citou os tiroteios ocorridos em bairros de Vitória e criticou a política de segurança pública do país

Por João Caetano Vargas, com edição de Angèle Murad | Atualizado há 3 meses

Majeski em pé fala ao microfone na tribuna e ao fundo o painel eletrônico do plenário
Para Majeski, acesso a emprego, saúde e educação evitaria ingresso de jovens na criminalidade / Foto: Lucas S. Costa

A escalada da violência em bairros periféricos da Grande Vitória tem preocupado o deputado Sergio Majeski (PSDB). Em seu pronunciamento durante a sessão ordinária desta quarta-feira (31), o parlamentar citou novos casos de tiroteios ocorridos na capital e criticou a política de segurança pública do país.

“Essa foi mais uma madrugada triste e infernal para moradores dos bairros aqui de Vitória, notadamente o Forte de São João, o Cruzamento e o Romão. Há pouco tempo atrás foi lá no Centro de Vitória, Piedade, Fonte Grande, Moscoso e adjacências. As populações desses bairros não aguentam mais conviver com esses tiroteios. As pessoas não estão tendo paz”, lamentou.

Fotos da sessão ordinária

O tucano comparou as cenas registradas por moradores às de uma guerra. “A gente olha os vídeos que são feitos pelos moradores desses bairros, parece que a gente tá vivendo no meio de uma guerra. Há muito tempo que eu venho dizendo, que no Brasil, e não é uma questão específica do Espírito Santo, a política de segurança pública está falida”, opinou.

“Quando você vai a um desses bairros, eu tenho cansado de dizer isso, vá à Fonte Grande, vá ao Romão, vá ao Cruzamento, vá a qualquer um desses bairros, vá ao Forte São João. Não tem nada nesses bairros, não tem dignidade pra essa população. Não tem posto de saúde, ônibus não passa por lá, não tem recolhimento de lixo, não tem escola e, às vezes quando tem escola, fecha”, complementou.

Solução

O deputado entende que a solução, a longo prazo, do problema da violência, passa pela criação de uma nova política de segurança pública em todo país, envolvendo União, estados e municípios. “Nós não vamos debelar e reduzir a violência nunca. No máximo paliativos quando a situação aperta”, disse.

Majeski lamentou que os jovens da periferia estejam cada vez mais sendo seduzidos pelo crime. O parlamentar entende que a falta de oportunidade e de dignidade é o que facilita a entrada dessas pessoas para o tráfico.

“Tem que envolver a política de ação social, a política educacional, a política de formação para o trabalho, a política de criação de emprego, de infraestrutura dos bairros, de lazer, de esporte. Porque nós temos que evitar que continue ocorrendo o que ocorre no Brasil. O crime encontra um farto celeiro de mão de obra junto aos jovens de baixa renda, que são facilmente arrastados para o crime”, explicou.

O deputado teme que a situação ainda possa piorar. “A violência jamais será combatida apenas com polícia, com mais presídio. Claro que isso é importante, é óbvio, ter polícias bem equipadas, bem remuneradas, bem qualificadas, leis rígidas, isso é fundamental. Mas se a gente não cuidar da base, pra evitar que o crime ocorra, dando dignidade e cidadania à população, com escola, lazer e oportunidade de trabalho, oferecimento de saúde, nós não vamos resolver nada, é daqui pra pior”, avaliou.

Exemplos internacionais

A situação da segurança pública em países com baixo índice de violência é, para o deputado, um exemplo de como a política de segurança do Brasil está falida. O tucano lamentou a falta de um debate sério sobre o tema no país e criticou a política meramente ostensiva e também o armamento da população. 

“A gente tem visto matérias dizendo que na Bélgica, na Holanda, na Dinamarca, esses países estão fechando presídios por falta de prisioneiros. E por que tem um índice tão baixo de violência? É óbvio, o caminho todo mundo sabe qual é. Só que é muito mais fácil dizer que vai resolver a violência na semana que vem com mais policial, dando mais arma pra população, criando pena de morte”, afirmou.

Religião

O parlamentar também criticou os políticos que usam a religião para mexer com o emocional do cidadão. “Ficar escamoteando a realidade brasileira com questões religiosas e comportamentais, mexe com o emocional das pessoas, mas não é isso que resolve os problemas do dia a dia delas. Que é o problema do desemprego, da violência, de um sistema de saúde que precisa muito ser melhorado, e por aí vai”, posicionou-se.

“Nós precisamos, urgentemente, criar ao menos paliativos para essas regiões dos morros aqui, não só de Vitória, mas da Grande Vitória, porque tem ocorrido também em Cariacica, em Vila Velha. É fundamental que a gente encontre ao menos um paliativo nesse momento, mas importante mesmo é criar uma nova política de segurança no Brasil. A política de segurança pública no Brasil está falida”, finalizou.

Seca

Já o deputado Theodorico Ferraço (PP) falou sobre a situação difícil enfrentada pelos produtores rurais do Espírito Santo por conta de seca. “A situação da seca no Espírito Santo está de mal a pior. Há muito tempo não chove e isso vem acabando com todo pasto dos animais, produções agrícolas, como o abacaxi e a cana, em Itapemirim e Marataízes. O produtor rural vive os seus piores dias em toda a história do Espírito Santo”, lamentou.

“Especialmente aqui no Sul do Espírito Santo, onde há mais de 50 anos não se vê uma seca igual. O desespero é total, já morreram centenas de gados, produtores rurais olham para suas terras e não conseguem ver uma muda de capim, uma muda de qualquer planta, de qualquer alimentação para o seu gado”, complementou.

O parlamentar enviou documento ao governo federal solicitando ao Ministério da Agricultura que crie uma comissão junto ao governo do Estado, as entidades rurais, com as cooperativas e os trabalhadores do campo, para encontrar uma solução para o problema. “Eu vi o desespero dessas famílias e precisamos nessas horas nos colocarmos do lado do produtor rural”, concluiu.

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