Comissão conhece estudo sobre jovens e política

Pesquisa apresentada por professor da rede municipal visa despertar interesse dos estudantes pelo assunto

Por Marcos Bonn, com edição de Nicolle Expósito

Homem moreno de óculos com camisa de botões azul jeans fala em microfone
Professor de Filosofia Pierre Francisco Alves apresentou dissertação ao colegiado de Educação / Foto: Lucas S. Costa

Em reunião promovida nesta segunda-feira (4), os deputados da Comissão de Educação conheceram os resultados de pesquisa realizada pelo professor de Filosofia Pierre Francisco Alves acerca do interesse dos estudantes do ensino fundamental pela política (que vai do 1º ao 9º ano). O trabalho foi motivado pela falta de interesse desse público no assunto.

Fotos da reunião da Comissão de Educação

Os estudos constam na dissertação de mestrado aprovada na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no início deste ano, com o título A Experiência Político Democrática pela Construção da Organização Estudantil no Ensino Fundamental: Uma práxis de Cidadania Gramsciana no Ensino de Filosofia.

“Há um certo desinteresse que precisa ser combatido para propiciar aos estudantes o entendimento de que a participação política precisa ser valorizada”, disse o docente ao usar a queda no número de novos títulos de eleitor no Brasil como exemplo. A pesquisa mostrou que os alunos precisam ser ensinados a participar e a serem reconhecidos.

Entretanto, segundo ele, os resultados de sua pesquisa são promissores. A adesão ao tema foi avaliada por meio de atividades práticas, como processos democráticos de organização estudantil, por exemplo. Ele revelou que neste ano mais de 100 alunos se inscreveram para a eleição de presidente de turma.

Esse estímulo, revelou Pierre Alves, acaba extravasando o ambiente escolar e impactando na percepção dos estudantes no contexto social em que vivem. “A participação dentro da escola se estende também à participação dentro na comunidade. Ele começa a perceber ‘por que a rua está sem esgoto?’”, analisa o autor do trabalho.

“Nós só seremos capazes de transformar a sociedade quando os nossos jovens se envolverem na política. E isso acontece principalmente a partir da organização dos estudantes nas salas de aula e nas escolas”, frisou. O professor afirmou tratar o tema sem partidarismo ou ideologia.

O estudo contemplou diversas escolas da rede pública em Cariacica ao longo de 10 anos, com foco na unidade municipal Oliveira Castro, em Itaquari. No entanto, lembra Pierre Alves, o processo ainda está acontecendo, por se tratar de um movimento contínuo de formação.

Desinteresse geral

Para os deputados Sergio Majeski (PSDB) e Coronel Alexandre Quintino (PDT) a falta de interesse na política é geral, e não só restrita aos jovens. A falta de exemplos seria um dos obstáculos. “O que eles (crianças e jovens) ouvem o tempo inteiro sobre política e sobre políticos? É tudo coisa negativa”, constatou o tucano. “Tirar título é uma coisa, participar da política é outra”, completou.

“Há um desinteresse por parte dos jovens e até mesmo daqueles que já votam há bastante tempo quando se fala em política”, salientou Quintino. De acordo com ele, existe uma cultura na qual quando a pessoa é diplomada, ela deixa de ser “um homem íntegro” e passa a ser uma pessoa que "pode se envolver em coisas erradas”.

No entanto, os parlamentares reconheceram o trabalho com os mais jovens como uma saída. “É aí que entra o trabalho do senhor, desmistificar isso aí desde já”, completou Quintino. Presidente do colegiado, o deputado Bruno Lamas (PSB) solicitou e obteve autorização para que a dissertação faça parte do acervo da Assembleia Legislativa (Ales).

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