Deputados homenageiam jornalista e indigenista

Além de minuto de silêncio, parlamentares cobraram investigação do assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, no Vale do Javari

Por Wanderley Araújo, com edição de Nicolle Expósito

Deputada Iriny Lopes fala em microfone na tribuna do plenário
Iriny pediu voto de pesar pela forma brutal como Bruno e Dom Phillips foram mortos / Foto: Ellen Campanharo

O Parlamento estadual rendeu homenagem, na sessão ordinária desta terça-feira (21), à memória do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos no dia 5 de junho, no Vale do Javari (região da Amazônia brasileira).

Na primeira fase da sessão, durante o Expediente, em que há espaço para minuto de silêncio, as deputadas Iriny Lopes (PT) e Janete de Sá (PSB) solicitaram que houvesse da parte da Casa um voto de pesar pela forma brutal como Bruno e Dom Phillips foram mortos. 

Iriny comentou que, enfim, o governo federal reconheceu oficialmente o assassinato da dupla em território brasileiro. Ela relatou que os corpos do indigenista e do jornalista foram quebrados, cortados e queimados. “Meu respeito a essas duas grandes pessoas e o lamento de que internacionalmente olham (os estrangeiros) para o Brasil com medo e vergonha”, considerou a petista. 

Ao pedir o minuto de silêncio, Janete de Sá defendeu rigorosa investigação do crime, já que, no entendimento dela, deve haver mandantes por trás das ações dos assassinos.

Fotos da sessão ordinária
  
Outras mortes 

Sergio Majeski (PSDB) observou que o episódio repercutiu mundialmente por ter entre as vítimas um jornalista da mídia britânica, mas ressaltou que os assassinatos de pessoas que defendem índios e a floresta amazônica acontecem com muita frequência na região. 

“Muitas lideranças são mortas, mas esses fatos não chegam aos jornais, só as comunidades por lá ficam sabendo”, considerou o parlamentar ao lembrar outros dois casos que, assim como os de Dom e Bruno, também ganharam relevância: os assassinatos de Chico Mendes, em Xapuri (AC), em 1988; e Irmã Dorothy Stang, no Pará, em 2005.   

Líder extrativista, Chico foi morto com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, em represália à desapropriação do seringal Cachoeira, em terras ligadas ao fazendeiro Darly Alves. Em dezembro de 1990, a Justiça condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e seu filho, Darcy Alves Ferreira, a 19 anos de prisão pela morte de Chico Mendes.

Já Irmã Dorothy foi assassinada com seis tiros aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu (PA). O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, foi condenado a 30 anos de prisão.

Mapeamento

Majeski defendeu investimentos em pesquisas para que haja desenvolvimento autossustentável da Amazônia, num processo capaz de reverter a cultura do desmatamento, surgida no período militar (1964-1985), quando havia, conforme frisou, a disseminação da crença de que a ocupação da floresta era sinal de desenvolvimento. “A meta (dos militares), na época, era devastar para ocupar; mas existem outras formas de explorar as potencialidades da Amazônia sem destruí-la”, pontuou. 

Para Sergio Majeski, que é professor de geografia, uma política consistente de investimentos para desenvolver a Amazônia precisa ser antecedida por um mapeamento das várias vocações produtivas da região, conforme indicam estudos realizados por cientistas. 

Ele considerou necessário definir onde se pode explorar de forma segura a indústria farmacêutica por meio de fármacos que podem ser produzidos mediante infinidade de plantas. 

Para o parlamentar, há espaço até mesmo para o desenvolvimento de atividades como as extrativistas e pecuaristas, desde que os locais para isso sejam mapeados e dotados de infraestrutura e tecnologia capazes de preservar o meio ambiente. 

Sistema de vigilância

Majeski lamentou que, apesar de investimentos no Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivan), que teve implantação inicial na década de 80 do século passado, com recursos de mais de US$ 2 bilhões, o monitoramento na região é praticamente zero, pois não houve implantação de outras bases previstas para a integração do sistema. 

O deputado acrescentou que, além disso, não há técnicos e fiscais suficientes para combater os focos de desmatamento, quando apontados pelo que restou do Sivan. “Com toda aquela gigantesca região sem monitoramento adequado, o que se vê é o domínio do narcotráfico, dos garimpeiros, da pesca ilegal e dos desmatamentos”, citou. 

Investigações 

Nas investigações relativas aos assassinatos de Bruno e Dom, um dos suspeitos de matar a dupla voltou atrás em novo depoimento à Polícia Federal nesta segunda-feira (20), negando ter matado os dois.

Conforme noticiário sobre o caso, inicialmente o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, havia confessado ter participado dos assassinatos. Mas, ao reconstituir o crime, Amarildo admitiu ter jogado os corpos em uma parte da mata do Vale do Javari (AM), esquartejado e ateado fogo. No entanto, negou ter matado os dois.

O pescador passou a apontar Jeferson da Silva Lima, conhecido como Pelado da Dinha, como responsável pelas mortes de Bruno e Dom. Amarildo, Jeferson e Oseney da Costa de Oliveira, irmão de Amarildo, conhecido como Dos Santos, estão detidos pela PF. Oseney nega envolvimento no crime. Ao todo, a corporação considera oito pessoas suspeitas.

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