CPI: ação conjunta interdita clínica veterinária em Vila Velha

Corpos de animais mortos acumulados em freezers, reutilização de seringas e medicamentos vencidos estão entre as irregularidades encontradas no local

Por Redação Web Ales, com edição de Nicolle Expósito

Corpo de animal sobre mesa, ao fundo pessoas sentadas em entrevista coletiva
Corpo da cadela Isadora, um dos animais mortos encontrados na ação que interditou clínica / Foto: Lucas S. Costa

“Parecia um filme de terror”, resumiu a presidente da CPI dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa (Ales), deputada Janete de Sá (PSB), sobre a clínica veterinária interditada em operação conjunta nesta quinta-feira (9), localizada em Pontal das Garças, Vila Velha. O médico veterinário responsável pela clínica foi preso em flagrante por maus-tratos aos animais e levado para a Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil (PCES), onde foi autuado. Os detalhes da ação conjunta foram informados em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira na Ales.

No local foram encontrados dois freezers cheios de animais mortos, cachorro morto disposto em um saco no chão, material cirúrgico enferrujado e exposto no local usado como centro cirúrgico, medicamentos vencidos e armazenados em geladeira junto com comida, uma caixa cheia de seringas e agulhas que seriam reutilizadas, uma máquina de secar roupa sendo usada como incubadora, baias com animais em meio a entulhos de obras e peças e ferramentas de oficina mecânica. O mau cheiro generalizado denunciava a situação insalubre do local. (Veja fotos ao final)

A operação foi motivada por denúncia e envolveu a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Ministério Público do Estado (MPE-ES), Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, Defesa Civil, Coordenação de Postura e Guarda Civil de Vila Velha. De acordo com a deputada Janete de Sá, órgãos da Prefeitura de Vila Velha tentaram fiscalizar o local em outras ocasiões, mas teriam sido impedidos pelo proprietário do estabelecimento.

“Não havia capacidade de o local estar funcionando”, apontou o delegado Eduardo Passamani, titular da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente. Conforme o delegado, o veterinário preso foi encaminhado para o Centro de Triagem, onde passará por audiência de custódia. As investigações deverão apontar se, além do crime de maus-tratos - sujeito a prisão de dois a cinco anos - o veterinário responderá por outras infrações.

“Os tutores entregam seus animais aqui, pensando que eles vão ser tratados, mas na verdade  eles acabam morrendo diante de tanta precariedade no local, prova disso é que encontramos 17 animais mortos em dois freezers”, disse Janete de Sá. Na clínica estavam internados cinco gatos e 11 cachorros.

Os tutores dos animais foram acionados e muitos correram para o local para retirar seus bichos de estimação. Ao saber das irregularidades eles ficavam estarrecidos como foi o caso de Renan Lyra, que tinha dois cães internados na clínica. “Eu agora vou levar meus animais para outra clínica. Eu conheço alguns funcionários mas não imaginava os problemas. Tenho sorte em poder levar meus cachorros vivos”.

A mesma sorte não tiveram Holga Maria Nunes e Marcelo Souza dos Santos, tutores da cadela Isadora. O animal da raça bulldog deu entrada na clínica na última terça-feira (7) para retirar um excesso de pele no olho. Mas os tutores acabaram sendo informados de que seria necessário fazer outra cirurgia para corrigir um problema na respiração. “Meu marido perguntou se podíamos buscar ela no dia seguinte e ele (funcionário da clínica) disse que provavelmente sim, que era uma cirurgia simples e rápida, sem risco de morte”, relatou Holga. Na ação desta quinta-feira o corpo do animal foi encontrado envolto em um saco plástico. “E ninguém pra atender a gente, pra dar uma explicação. Como que morreu se deixamos ela lá viva?”, indagou emocionada Holga.

Com consentimento da tutora, a deputada Janete de Sá disse que a CPI solicitará a autópsia do animal para identificar a causa da morte. Ela acrescentou que pedirá a cassação do registro profissional do veterinário ao Conselho Regional de Medicina Veterinária. “É inadmissível que um médico, um profissional com curso superior, cometa tantas atrocidades com animais indefesos e ainda cobre pelos serviços que realiza”, afirmou Janete de Sá. 

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