Obra na Serra: moradores denunciam irregularidade

Rachaduras e trincas nas paredes das casas vizinhas a loteamento no bairro Costa Bela, na Grande Jacaraípe, estão entre os problemas apresentados à Comissão de Cidadania

Por João Caetano Vargas, com edição de Nicolle Expósito

Pessoas reunidas em plenarinho da Assembleia Legislativa
Segundo moradores, obras não cumprem condicionantes ambientais estabelecidas pelas autoridades / Foto: Tonico

Moradores do bairro Costa Bela, no município da Serra, denunciam irregularidades em obras de loteamentos da imobiliária Universal, na localidade. Em reunião ordinária da Comissão de Cidadania, realizada nesta terça-feira (31), os moradores do bairro, que tem cerca de 1.300 habitantes, apresentaram as denúncias dos impactos e transtornos causados nas proximidades das obras.

“Há anos a imobiliária vem realizando movimentações nesse terreno de forma descontinuada, com longos intervalos entre uma ação e outra. Dado o início da movimentação na área do loteamento, percebeu-se que a retirada das árvores e a compactação do solo provocada pela movimentação das máquinas estavam promovendo um acúmulo de água em uma parte específica do loteamento e que isso poderia ter impactos indesejáveis”, alertou Adenis Laurete Júnior, morador do bairro.

O convidado afirmou que foram enviadas fotos à empresa e que nenhuma providência foi tomada, mesmo tendo sido assegurado aos moradores, desde o início das obras, um canal de comunicação com os residentes da região. De acordo com Adenis, essa ação culminou com a derrubada de um muro, gerando severos danos e transtornos.

“No ano passado, em um período de chuvas muito fortes, o muro de uma moradora veio ao chão durante a madrugada e toda água acumulada nessa parte mais baixa do terreno, localizada exatamente atrás do muro dessa moradora, invadiu a sua residência e alagou a rua, chegando a invadir outras residências”, relatou.

Fotos da reunião da Comissão de Cidadania

Outra queixa de quem reside nas proximidades é de que o aterramento realizado na área ultrapassou a altura dos muros das residências em seu entorno. Os moradores se queixam da poeira causada pela ação, e, principalmente, da insegurança gerada, já que isso facilitaria a invasão das residências por parte de ladrões. Reclamam ainda da falta de um sistema de drenagem e de muros de arrimo na obra.

Os moradores também afirmam que a ação das máquinas pesadas da empresa na região vem causando rachaduras e trincas nas paredes das casas no entorno. “Queremos que a nossa paz seja devolvida, queremos soluções, queremos informações, queremos diálogo, e mais do que tudo, queremos garantias”, concluiu Adenis.

Falta de diálogo

A moradora Daniele Curty reclamou da falta de retorno a respeito das demandas. “A gente busca diálogo há mais de um ano. Nós temos ofícios enviados tanto para a imobiliária, quanto para a prefeitura e não tivemos resposta sobre o projeto. Nós temos ali uma importante Área de Preservação Ambiental (APA), que foi catalogada pela Ufes, onde a gente encontra uma fauna e uma flora extensas”, alertou a convidada.

Segundo Daniele, a Prefeitura da Serra já encaminhou fiscais para acompanhar a execução das obras e foi constatado que a empresa não vem cumprindo diversas condicionantes ambientais estabelecidas. “A primeira chuva que der bem forte vai destruir o restante dos muros que ainda estão de pé”, previu.

A imobiliária

Representante da imobiliária Universal, Juliana Botelho afirmou que a empresa tem mantido diálogo com a associação de moradores do bairro. No entanto, conforme Juliana, as pessoas impactadas pela obra não se sentem representadas por essa associação e exigem um canal direto de diálogo entre a construtora e os impactados diretamente pelo empreendimento.

“Já inclusive marcamos, a pedido deles, num sábado, lá no loteamento - o dia foi determinado por eles, inclusive - pra que a gente vá ao local com nossa equipe de conciliação e engenharia e faça um apanhado de quais são as queixas, quais são os prejuízos, quais são as inconsistências que existem, para que sejam tratadas. E qualquer tipo de dano que ficar comprovado que é um reflexo de obra nossa, temos total abertura de identificar e total interesse de resolver e sanar isso”, assegurou.

Encaminhamentos

Proponente da reunião para tratar do tema, o deputado Bruno Lamas (PSB) fez vários questionamentos a respeito do loteamento, chamado Capuba Ville, e não obteve muitas respostas da representante. De acordo com Juliana, o empreendimento contará com um total de 300 unidades, mas nenhuma teria sido comercializada ainda.

Lamas solicitou que fossem encaminhadas à comissão todas as licenças de funcionamento da obra e também o projeto de execução. Outra sugestão dada pelo parlamentar foi que a próxima reunião para tratar do caso seja realizada em conjunto com a Comissão de Defesa do Consumidor. 

Outra deliberação do deputado foi a criação de uma comissão dos afetados pelas obras. “A associação de moradores trata de orçamento participativo e de outras questões, não estão presentes aqui porque não quiseram participar, porque foram convidados por essa comissão. Então que seja criada uma comissão dos afetados, pessoas que têm residências que fazem divisa com o empreendimento. Que fossem encaminhados esses nomes para que possamos tratar diretamente”, finalizou.

A reunião foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Luciano Machado (PSB) e contou também com a participação da deputada Iriny Lopes (PT). Os parlamentares se comprometeram a acompanhar os desdobramentos do encontro entre moradores e imobiliária, agendado para o dia 11 de junho.

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