Caça e tráfico de animais silvestres preocupam ativistas

Tema foi debatido na Comissão de Proteção ao Meio Ambiente e aos Animais

Por Luciana Wernersbach, com edição de Nicolle Expósito | Atualizado há 3 meses

Renata Bomfim
Renata Bomfim, do Instituto Ambiental Reluz, alertou sobre ameaça que caça representa para a fauna / Foto: Ellen Campanharo

A caça e o tráfico de animais silvestres no Espírito Santo foi tema da reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente e aos Animais nesta quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa (Ales). O colegiado, presidido pelo deputado Dr. Rafael Favatto (Patri), convidou a presidente do Instituto Ambiental Reluz, Renata Oliveira Bomfim, para uma explanação.

Renata trouxe à tona um assunto que já tomou conta das mídias: uma quadrilha organizada de tráfico de animais, que atua há 15 anos no norte do Espírito Santo e Rio de Janeiro. “Eles entram nas florestas, pegam os animais, matam as mães para capturar os filhotes, depois os comercializam. Isso é crime”, ressaltou.

Fotos de reunião da Comissão de Meio Ambiente

Embora a Polícia Federal tenha feito uma operação – batizada de ‘Aveas Corpus’ – que conseguiu descobrir e desmantelar a quadrilha no final do ano passado, Renata relatou que a caça e o tráfico nas áreas de proteção ambiental ainda continuam a acontecer, por todo o estado. “Somos guardiões da floresta, mas queremos ajuda do poder público. Precisamos do apoio da Polícia Ambiental, do Ibama, dos órgãos fiscalizadores. Eles são peças-chave para a resolução desses problemas”, provocou.

Segundo a ativista ambiental, a caça é uma prática trazida desde a época da colonização. “Essa caça desenfreada é fruto de uma cultura histórica. Além disso, a caça esportiva foi mais incentivada com a facilitação do acesso a armas de fogo. Precisamos mudar isso, com educação, conscientização, informação sobre as leis e os crimes ambientais”, propôs. Ela ainda solicitou ao colegiado a criação de um grupo de trabalho, com participação de representantes de áreas naturais, conselhos e órgãos fiscalizadores, com o objetivo de diminuir o problema da caça no Espírito Santo.

Para o deputado Favatto, enquanto houver pessoas que compram animais silvestres, vai existir esse tipo de quadrilha, pois um fomenta o outro. “Nossa sociedade precisa ter noção de não comprar esse tipo de animal silvestre. Temos tantos outros animais de cativeiro que precisam de nossa atenção, como cachorro, gato, calopsita, mas não é certo ter um macaquinho, como um bibelô, dentro de casa”, explicou.

Desmatamento

Além da caça, outra ameaça aos animais silvestres é a perda do habitat. Por isso, Renata Bomfim também falou do fenômeno da floresta vazia. “Existe uma tendência de desmatamento para construção de condomínios, que não pode continuar. Não somos contra o desenvolvimento das cidades, mas não podemos derrubar a Mata Atlântica dessa forma. Temos o privilégio de ter um braço do Rio Jucu cortando nossa reserva (RPPN Reluz), então somos testemunhas do assoreamento e de outros problemas causados por desmatamentos”, alertou.

O médico aposentado e também ativista ambiental Adalberto da Cunha propôs que a comissão faça visitas a alguns empreendimentos. Ele citou que mora em um condomínio em Domingos Martins que é um exemplo de como é possível preservar a mata, mesmo com moradia. “Convido os parlamentares a conhecerem o local, que tem enorme área verde, e também outros condomínios que estão surgindo por Santa Teresa, São Roque do Canaã e outras regiões de montanha, que não estão com essa preocupação”, exemplificou.

Adalberto ainda sugeriu que os parlamentares façam projetos de lei para estimular o turismo ecológico, de observação de aves, botânica e flora. “Isso pode conseguir minimizar essa destruição que vem acontecendo com as matas. Temos um compromisso com o futuro, precisamos ter isso em mente. Não só os animais são afetados, mas o ser humano também”, observou.

O deputado Favatto afirmou que será deliberado sobre as visitas. “Vamos fazer isso sim. Esses condomínios precisam resgatar e preservar nossa mata, e não desmatar”. Ele ainda colocou o colegiado à disposição dos convidados. “É sempre difícil unir os atores necessários para tocar esse tema, mesmo sendo um assunto de sensibilidade social”, disse, se referindo à ausência de outras instituições convidadas à reunião.

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