Cesan explica falta de água em bairros de Vitória

Associações de moradores de áreas desabastecidas cobraram medidas efetivas para acabar com recorrentes interrupções no fornecimento

Por Gleyson Tete, com edição de Nicolle Expósito

Tela de computador exibe imagem de participantes de reunião virtual
Audiência virtual reuniu representantes e trabalhadores da Cesan e moradores de áreas afetadas / Foto: Ellen Campanharo

As elevadas temperaturas (o que aumenta o consumo de água), grandes vazamentos na rede e duas paralisações na Estação de Tratamento de Água Vale Esperança, em Cariacica, foram a justificativa apresentada pelo diretor Operacional da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), Thiago Furtado, para os recorrentes episódios de falta d’água em bairros de Vitória, especialmente no período de Carnaval. O desabastecimento foi tema de audiência pública virtual da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos nesta quinta-feira (24).

Na ocasião, representantes de associações de moradores cobraram uma solução para os problemas e funcionários da Cesan apresentaram as explicações para os casos específicos e o que está sendo feito para corrigir definitivamente as falhas.

A deputada Iriny Lopes (PT), membra efetiva do colegiado, ressaltou que a água é um bem essencial à vida e um direito humano reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ela lamentou o momento de desabastecimento na região da Grande São Pedro e do Centro de Vitória. “Para aumentar a sensação de precarização estava fazendo mais de 30 graus, tornando maior a necessidade de água”, frisou.

O representante da Comissão de Cobrança Roda de São Pedro, Heldry Brandemburg, disse que a falta d’água afeta em especial os mais pobres, que possuem poucos recursos para comprar água privada. Segundo ele, desde janeiro a região tem sofrido com o desabastecimento e, durante o período de Carnaval, foram cinco dias sem água.

Brandemburg reclamou que sempre quando ocorre a falta de água, no mês seguinte os moradores pagam conta em cima do ar que circula na tubulação. Além disso, afirmou que a Cesan não concedeu o desconto nas faturas prometido para todos os moradores da Grande São Pedro.

Fotos da audiência pública virtual

Centro

De acordo com Suzana Tatagiba, diretora de Comunicação da Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro), o Centro da Capital vive o mesmo cenário de falta d’água há pelo menos quatro meses, principalmente aos finais de semana e feriados. “As pessoas fazem atividades domésticas aos sábados, as crianças estão em casa e tem feira no Centro”, ilustrou.

Ela relatou dificuldades específicas nos bairros Piedade e Fonte Grande e na Rua Sete de Setembro e disse que os caminhões pipa têm dificuldades de abastecer as partes altas. Afirmou ainda que foi prometido pela Cesan que obras que estão em andamento vão melhorar o atendimento na localidade.

Fabio Giori Smarçaro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Espírito Santo (Sindaema), prestou solidariedade aos moradores que ficaram sem água, destacou que adversidades acontecem, mas que a empresa deve manter o compromisso do abastecimento de água.

Em outro ponto da fala, Smarçaro criticou a quantidade de funcionários terceirizados na Cesan e as condições de trabalho deles. Ainda abordou as tentativas de privatização dos serviços de água e esgoto, a necessidade de melhorar o atendimento em municípios do interior e cobrou formas de levar acesso à água para as populações em situação de rua.

Melhorias 

A respeito dos transtornos causados no Centro e em São Pedro, com a demora no restabelecimento do sistema no Carnaval, Thiago Furtado explicou que, como medida emergencial, a Cesan disponibilizou 19 caminhões pipa para abastecer os imóveis e que a empresa está trabalhando para evitar novas adversidades. “O problema existiu. A Cesan está realizando melhorias para que isso não volte a acontecer. Melhorias na rede, reativando um reservatório e instalando novas ventosas para tirar o ar da rede”, esclareceu.

As ações para atender os moradores de São Pedro foram trazidas pelo gestor da Divisão de Faturamento e Cobrança da Cesan, Anderson Luiz Xavier. Ele contou que são quase 10 mil matrículas na região e que os moradores não tiveram a tarifa fixa cobrada em virtude do período sem água, que foi suspensa a cobrança de débitos até o final de março e que foi disponibilizado atendimento presencial móvel nos bairros para facilitar o contato com as pessoas.

Acerca da cobrança “por ar” apontada por Heldry, o gestor argumentou que é algo que ocorre realmente em determinados pontos da rede, mas que não é algo relevante para a formação da fatura de água, e que o assunto já foi, inclusive, acompanhado pelo Ministério Público e discutido nacionalmente.

Plano de contingência

Iriny Lopes cobrou da Cesan um plano de contingência eficaz para entrar em operação em momentos de desabastecimento não previstos e formas mais efetivas de comunicar à população a falta d’água, além de maneiras de garantir algum método de abastecimento de água, como por meio de carros pipa.

Furtado respondeu que a Cesan avisa por meio de SMS, no site da empresa e que as pessoas ainda poderiam ligar para o telefone 115 para buscar mais informações. O diretor ponderou que a empresa precisa investir em mais reservatórios para amenizar futuros problemas e que as pessoas também podem fazer seus próprios reservatórios.

Ao final dos trabalhos Iriny ficou de agendar uma reunião para debater a questão do excesso de terceirizados comentado por Fabio Smarçaro e de marcar uma visita a São Pedro para verificar as reclamações dos moradores. A parlamentar falou que vai fazer indicações pedindo aviso prévio sobre falta d’água nas rádios e TVs, solicitando da Cesan um plano de contingência permanente e campanhas orientando como as pessoas podem fazer reservatórios e reutilizar a água.

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