Segmentos pedem apoio para a agroecologia

Incentivo à produção de alimentos saudáveis no meio urbano foi tema na pauta da Frente Parlamentar de Conservação da Biodiversidade Capixaba

Por Gleyson Tete, com edição de Nicolle Expósito

Ione Duarte fala em microfone
Ione Duarte defendeu implantação de hortas agroecológicas como forma de suprir demanda por alimentos / Foto: Ellen Campanharo

Os desafios para a agroecologia urbana capixaba foram discutidos na reunião da Frente Parlamentar de Conservação da Biodiversidade Capixaba realizada nesta quarta-feira (23), no Plenário Rui Barbosa, na Assembleia Legislativa (Ales). Participaram do encontro integrantes de hortas comunitárias, produtores agroecológicos e representantes dos governos estadual e federal.

Presidente do colegiado, o deputado Gandini (Cidadania) abriu os trabalhos falando que a questão da alimentação é um desafio gigante no país. “Em Vitória temos mais de 13 mil famílias que recebem o Bolsa Família, que é para pessoas com risco de insegurança alimentar. É algo que a gente achou que estava contornado, mas temos de novo esse desafio”, lamentou.

Fotos da Frente Parlamentar de Conservação da Biodiversidade Capixaba 

A bioconstrutora e integrante da Rede Urbana Capixaba de Agroecologia (Ruca) Ione Duarte fez uma explanação sobre o trabalho da Ruca. De acordo com ela, o propósito do grupo é atuar em rede e apoiar atividades agroecológicas nas cidades. “As comunidades tradicionais e os povos indígenas praticam esse conhecimento há milênios”, lembrou.

Duarte destacou que a ideia não é apenas fazer um canteiro ou horta comunitária em um espaço, mas elaborar projetos sustentáveis que agreguem as comunidades e que supram as demandas urgentes e imediatas de alimentos das pessoas. “É sobre tratar a fome, não brincar de plantar”, ressaltou.

Por fim, lastimou que algumas iniciativas comunitárias encontrem dificuldades, como a falta de segurança para levar as ações para bairros com altos índices de violência e a própria garantia de água nos locais. Gandini disse que é preciso criar políticas públicas para garantir água e convidou os presentes a elaborar um projeto em conjunto para contemplar as diversas necessidades.

Outro membro da Ruca que participou da reunião foi o comunicador social Vitor Taveira, que faz parte do coletivo "Horta Quintal na Cidade", no Centro de Vitória. Ele informou que o lugar hoje ocupado pela horta era um ponto de lixo e que agora produz alimentos saudáveis, sem veneno. Também reforçou que o custo da água pesa muito nas hortas comunitárias e que há dificuldades de encontrar locais para implementar os projetos.

Legislação

Para Taveira falta uma legislação estadual para estruturar melhor a política de agroecologia no Espírito Santo e que as iniciativas atuais acabam por depender apenas da boa vontade de servidores públicos que atuam na área. “Os municípios possuem leis, mas temos poucas ações. São leis que terminam sendo letras mortas porque não foram construídas dentro de um processo participativo. Acabam nem tendo quem as defendam”, criticou.

Segurança alimentar

O coordenador de Agroecologia e Produção Orgânica da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), Luciano Fasolo, afirmou que a crise econômica que se arrasta no país há alguns anos tem efeitos perversos, principalmente nas populações de baixa renda e apontou dados que revelam 20 milhões de brasileiros em um quadro severo de insegurança alimentar.

Segundo Fasolo, a agroecologia urbana pode ser um caminho para amenizar a fome das pessoas. “Não é só alimentar, matar a fome, mas alimentar bem. Pensar em alimentação saudável é fundamental. Os quadros de insegurança alimentar não são só de acesso ao alimento, mas a alimento de qualidade”, pontuou.

Ele falou que dentro do Programa AlimentarES, voltado para a distribuição de alimentos saudáveis produzido por agricultores familiares, ocorreu a capacitação de técnicos e a elaboração de projetos de apoio à agroecologia urbana. Conforme o coordenador, houve a apresentação à gestão da Seag de um projeto de apoio a três hortas, mas a iniciativa não se concretizou por uma questão orçamentária. Contudo, disse que a ideia está sendo novamente avaliada pela pasta.

Apoio técnico

A coordenadora técnica de Agroecologia do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Andressa Alves, mencionou que os servidores da autarquia prestam mais apoio técnico a hortas no interior do Estado e que agora começam a ampliar a atuação para hortas urbanas. A coordenadora frisou que é preciso aperfeiçoar a formação dos técnicos e pensar em medidas como captação de água das chuvas e energia solar para viabilizar as hortas comunitárias.

Sara Hoppe, representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), contou que a política pública existente na pasta é destinada para a agricultura familiar, mas que dentro da mesma é possível incluir a produção em zonas urbanas. “As famílias podem se cadastrar como OCS (Organizações de Controle Social) e vender seus produtos como orgânicos”, explicou.

Ao final da reunião Gandini conclamou os participantes a formarem um grupo de trabalho para construir uma proposição que contemple as várias demandas, em especial, o problema da água. “A legislação tem que pensar na Cesan, na empresa privada (que fornece água em Cachoeiro de Itapemirim) e nos Saaes (que prestam o serviço em vários municípios)”, concluiu.

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