Turismo: Ifes de Piúma tem novo eixo de ensino

Campus no litoral sul prepara oferta de cursos e palestras no eixo do turismo, área definida após consulta a professores e estudantes

Por João Caetano Vargas, com edição de Nicolle Expósito

Pessoas participando de reunião da Comissão de Turismo reunidas em plenário da Assembleia
Comissão de Turismo conheceu a proposta do novo eixo que pretende promover desenvolvimento regional / Foto: Lucas S. Costa

A Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa (Ales) recebeu representantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) para falar sobre a proposta de investimento no eixo do turismo voltado para o desenvolvimento do setor no estado, com foco na Região Litorânea Sul. O diretor do campus Piúma, Marcelo Polese, foi o responsável por apresentar o projeto ao colegiado.

Funcionando desde 2010, a unidade de Piúma foi criada com o foco voltado para a pesca e aquicultura. Atualmente a instituição conta com 900 alunos nos turnos matutino e vespertino. Com a proposta da expansão do campus para novos cursos, o diretor explica que será necessária a abertura de aulas noturnas.

Novos eixos

O gestor explicou que a abertura de novos eixos de ensino vem sendo debatida por uma comissão interna formada para esse propósito desde 2019. “Essa comissão apontou meio ambiente e turismo e demos continuidade aos estudos para decidir qual área seria. Porque um novo eixo no campus precisa dialogar com o atual eixo, ou então a gente entra em conflito com espaços físicos, laboratórios, recursos humanos e também, lógico, precisa dialogar com o desenvolvimento regional”, afirmou.

Fotos da reunião da Comissão de Turismo

Antes de definir os próximos passos, a comissão realizou diversas pesquisas, dentre elas um levantamento interno para saber de alunos e professores o real interesse na expansão para os novos eixos. Dos professores entrevistados, quase 90% manifestaram interesse em atuar em cursos do eixo turístico. A abertura de cursos noturnos foi uma demanda apontada como necessária por mais de 70% dos estudantes.

O diretor citou que a instituição vem se preparando para a implementação da área do turismo desde que o novo eixo foi definido. A comissão interna se reuniu com o Ministério do Turismo, governo do Estado e empresários da região, sempre em busca de apoio técnico e do aporte de recursos para o desenvolvimento do novo segmento.

Cursos

Já para esse ano estão programados alguns cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) na área de Hospitalidade e Lazer. Dentre os cursos propostos no projeto estão: Atendimento ao Turista; Organizador de Eventos, Monitor de Turismo/Agência de Informações Turísticas; e Serviços e Boas Práticas em Alimentos e Bebidas.

Também estão previstas para o calendário de 2022 palestras sobre atendimento ao cliente, apresentação da oferta turística do litoral sul, promoção de meios de hospedagem, organização de casamentos, atuação de guias turísticos, além de oficinas voltadas para o setor.

Oportunidade

O reitor do Ifes, Jadir Pela, também participou da reunião e disse que essa expansão é uma grande oportunidade. “Uma proposta de um campus nosso dedicado à área da pesca, e que tem agora outras possibilidades, como a gastronomia. São oportunidades que nós estamos construindo já há três anos. Nós estamos focados nessa ideia do turismo, é um espaço que a gente precisa ocupar”, falou.

Recursos

O presidente da Comissão, deputado Carlos Von (Avante), questionou os representantes do Ifes sobre os prazos para a implantação definitiva do novo eixo e também sobre a disponibilidade de recursos. “É um trabalho impressionante, mas gostaria de saber se esse recurso já está garantido, para colocar esses cursos em prática, especialmente os cursos superiores”, indagou.

Sobre o aporte de recursos, o diretor do Campus de Piúma lamentou que o Ifes não venha recebendo investimento por parte do governo federal. “Quanto a recursos financeiros, são articulações. O Ifes já há bastante tempo não recebe recurso de capital, que é para os investimentos, ou seja, infraestrutura, equipamentos, por parte do Ministério da Educação (MEC)”, apontou Polese.

Sobre a implantação de um curso de nível superior, Jadir Pela respondeu que é preciso dar um passo de cada vez. “Começa com cursos de 40 horas, depois de 160 horas, depois vamos oferecer um curso técnico, que tem 800 horas. É um processo de implantação de um eixo. Para chegar a uma graduação, a gente tem que passar por esse curso técnico. Então certamente nós vamos ofertar algumas turmas para a gente começar a construir a graduação”, complementou o reitor.

Qualificação

O vice-presidente do colegiado, deputado Torino Marques (PSL), identifica vantagens para a economia da região. “Vejo nessa proposta uma porta que se abre para o futuro da economia regional. Está tudo aí, o que falta é qualificar operadores em todos os níveis para a sua exploração decente e racional”, opinou.

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