Assistência técnica e pesquisa em debate na Agricultura

Presidente da Associação dos Servidores do Incaper afirma que há problemas de gestão dos governos federal e estadual e também dentro do instituto

Por João Caetano Vargas, com edição de Angèle Murad

Homem de pé e de costas ao microfone e a sua frente pessoas sentadas
Bricalli solicitou apoio dos parlamentares em relação às demandas dos servidores do Incaper / Foto: Lucas S. Costa

A Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa (Ales) recebeu, nesta terça-feira (22), o presidente da Associação dos Servidores do Incaper (Assin), Luiz Carlos Leonardi Bricalli. O convidado apontou o que considera como falhas em todas as instâncias de gestão e pediu apoio ao colegiado para intervir junto ao Estado. 

“As coisas precisam ser resolvidas, eu diria em três níveis: no nível federal, no nível estadual e no nível interno, na gestão do Incaper. Não adianta resolver um dos três. Não adianta ter o melhor governo federal e o governo do Estado e a diretoria do Incaper não fazerem o seu bom trabalho. Ou o contrário, inverter isso. Os três têm de estar alinhados. Uma parte dessa desalinhada, a gente vai sofrer dificuldade”, comentou.

Álbum de fotos da reunião

Nível federal

Para o extensionista rural, o maior problema está no nível federal: “No cenário nacional é onde está pior, em relação à assistência técnica e extensão rural (Ater) e à pesquisa. A gente sempre ouviu falar em desmonte da Ater, esses dias a gente está vendo que está tendo desmonte da pesquisa também. Embrapa sofrendo cortes, outros órgãos de pesquisa, então a gente tem muita preocupação com isso”, lamentou.

Segundo Bricalli, a falta de investimento e de direcionamento de recursos é  extremamente prejudicial ao trabalho de assistência técnica e extensão rural. “O governo federal, quando extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), deixou a gente órfão. Porque a gente entende que o governo federal serve pra pelo menos duas coisas: aportar recursos e direcionar. Então hoje a gente não tem recursos e nem direção do governo federal, no que diz respeito à Ater”, denunciou.

Nível interno

A falta de condições adequadas para a atuação dos técnicos foi uma das principais queixas apresentadas por Bricalli em relação à gestão do instituto. “Fica impossível fazer extensão rural com o valor de R$ 200 de combustível por mês, por carro, R$ 200 não abastece um tanque de nenhum carro hoje. E como cobrar resultados, trabalhos de extensão rural nos municípios? Então isso precisa ser resolvido”, disse.

O presidente da associação defendeu também que o instituto precisa melhorar os convênios com os 78 municípios capixabas. Ele ressaltou que existem municípios com boas parcerias, mas que, em muitos outros, esses convênios deixam a desejar. 

Ele criticou a infraestrutura e disse que falta uma logística adequada. “Isso tudo tem que ser revisto, o Incaper é um só. Se a sede aqui em Vitória é o melhor lugar de se trabalhar, em termos de infraestrutura, todos os outros escritórios têm de estar no mínimo iguais à sede”, falou.

Nível estadual

A principal queixa da categoria em relação à gestão estadual foi a defasagem na remuneração dos servidores do Incaper. “Nós estamos entre os piores, fiz uma consulta com as outras federações do Estado, nós estamos lá embaixo, entre os piores salários do Brasil. Infelizmente a gente está desanimado com a questão salarial e a gente está lutando pra que melhore e achamos que o aumento de 6% não foi suficiente, não só pra nós do Incaper, mas pra nenhum servidor público do Estado do Espírito Santo”, disse.

Apesar da preocupação com o baixo número de servidores no Estado, o convidado opinou que primeiro é preciso cuidar de quem já está trabalhando. “Embora esteja sinalizado um concurso público agora, a gente vê com muita preocupação, não é uma fala egoísta, é uma fala preocupante mesmo. Porque receber mais 200 servidores é trazer mais 200 pessoas insatisfeitas pra dentro de casa. A gente acha que devia melhorar as condições de quem está em casa e aos poucos ir trazendo outras pessoas também”, pontuou.

Pleitos

O técnico solicitou aos deputados que levem dois pleitos ao governador Renato Casagrande (PSB). O primeiro pedido foi para que os parlamentares sensibilizassem o chefe do Executivo estadual em relação ao plano de cargos e salários dos servidores do Incaper. O outro pedido foi para que os deputados considerem as demandas da categoria quando o governo encaminhar ao Legislativo o plano de carreiras da instituição que está sendo elaborado.

A presidente da Comissão de Agricultura, deputada Janete de Sá (PMN), colocou o colegiado à disposição para tentar um entendimento com o governo, mas pediu aos técnicos que encaminhem aos deputados o projeto de cargos e salários que a categoria enviou ao Executivo e também os seus pleitos em relação às suas carreiras.

“Eu queria que vocês elencassem o que é nocivo, pra que a gente não seja surpreendido com algo que possa ser nocivo à categoria, que é indesejável, mas que a gente já, de antemão, possa estar conhecendo o que não interessa a vocês”, solicitou.

O vice-líder do governo, deputado Marcos Garcia (PV), também se manifestou a favor da categoria e se comprometeu em levar os pleitos ao governador.

“Ouvi a explanação do presidente e concordo com alguns pontos que ele colocou. Nós tivemos alguns avanços, não tão significativos, acho que pode melhorar mais, devemos melhorar mais, devemos investir no Incaper e nós aqui temos consciência disso. Estamos atentos, estamos construindo junto do governador Renato Casagrande, ele é muito sensível à causa e acredito que vamos avançar muito mais”, afirmou.

A deputada Iriny Lopes (PT) opinou sobre a situação defendendo reformas e investimentos em favor da população. “Nós vivemos num país que depende de um Estado forte, um Estado capaz de prestar serviços de qualidade, de maneira contínua, onde os investimentos na manutenção dos organismos de Estado não só garantam salários de dignidade, para que as pessoas possam viver e exercer a sua função laboral, mas também fazer o investimento, R$ 200 de combustível no atual momento é muito difícil, você pensar que pode prestar um serviço na ponta com essa quantidade de recursos”, lamentou.

Sindipúblicos

Para o presidente do Sindipúblicos, Iran Milanez, a defasagem salarial é “cruel” não apenas para os servidores do Incaper, mas para todo funcionalismo público. “Nós nos vemos passando por um processo de reajustes abaixo da inflação. Essa é uma política de austeridade fiscal nas costas do servidor público, que é quem traz o desenvolvimento e as políticas públicas para o Estado do Espírito Santo. Nosso sindicato fez um estudo, somente nos últimos 10 anos nós acumulamos perdas inflacionárias que ultrapassam a casa de 60%”, apontou.

Agricultura familiar

Representando os agricultores familiares do estado, o produtor Dorizete Cosme defendeu o Incaper em diversas frentes de atuação e deu ênfase para o fomento das pesquisas que auxiliam o agricultor capixaba.

“A produção é viavelmente econômica, é ambientalmente sustentável e socialmente justa, que é a agroecologia. As pesquisas que o Incaper vem desenvolvendo são fundamentais para que esse outro modelo de produção possa de fato acontecer junto às famílias camponesas aqui do Espírito Santo”, salientou.

A deputada Janete de Sá concluiu os trabalhos da comissão defendendo o agricultor familiar. “O pequeno agricultor na verdade é o trabalhador da roça, que acorda todo dia muito cedo, que vai dormir cedo, que não tem seguro, que fica exposto às intempéries do tempo. Quando chove demais, perde a colheita toda, quando chove de menos, também seca e perde tudo, ou seja, está sempre ‘vendendo o almoço pra comprar o jantar’ e não desiste da terra, não vende a sua propriedade, porque acredita nela e vive dela”, destacou.
 

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