Pedágio: moradores querem que isenção seja ampliada

Segundo o deputado Carlos Von, apenas 180 residentes no entorno da praça de pedágio em Guarapari obtiveram benefício

Por Patrícia Bravin, com edição de Angèle Murad

Pessoas sentadas no Plenário Dirceu Cardoso
Relatos apontam dificuldade para comprovar condição de moradia permanente para obter isenção / Foto: Lucas S. Costa

A Comissão Especial de Fiscalização da Rodosol realizou na noite de quinta-feira (9), no Plenário Dirceu Cardoso, audiência pública sobre o pedágio cobrado pela concessionária. Moradores protestaram contra ato que autorizou o reajuste tarifário e pediram ampliação das isenções para quem mora nos bairros do entorno da praça de pedágio da Praia do Sol, no km 30 da ES 060 (Rodovia do Sol). 

Em Guarapari, a tarifa de R$ 10,90 passou a valer no início deste ano. De acordo com o deputado Carlos Von (Avante), presidente do colegiado, apenas 180 moradores de Guarapari têm isenção do pedágio. Durante a audiência, moradores, líderes comunitários e comerciantes relataram a dificuldade de conseguir a isenção com a concessionária e as barreiras que encontram para provar que são residentes permanentes e não apenas veranistas.

Álbum de fotos da audiência pública

O aposentado Ivan Soella destacou que o bairro Recanto da Sereia foi o único separado da sede de Guarapari pela praça de pedágio, o que, segundo ele, criou uma segregação territorial. Isso dificulta o acesso dos cidadãos aos serviços públicos que ficam do outro lado dos guichês.

“Temos de pegar pedágio para acessar a prefeitura, cartórios, INSS, unidades de saúde, Detran, Procon, fórum e muitos outros. Até o cemitério fica do outro lado. Ou seja, mesmo depois de morto temos de pagar pedágio”, desabafou.

Para a comerciante Fátima Caus, além de serem penalizadas com os gastos com pedágio, as comunidades não têm retorno em melhorias como abrigo em ponto de ônibus, por exemplo. 

Ela enfatizou a falta de sinalização para os pedestres atravessarem a pista. E contou que presenciou diversos atropelamentos de vizinhos e clientes nos últimos dez anos. “O que estamos recebendo? Nada. Já dei entrada três vezes no pedido de isenção na Rodosol e não consegui”, disse. 

Segurança

Moradora da localidade de Praia do Sol, Dandara Moreira afirmou que as comunidades querem melhorias nos abrigos de ônibus, asfalto e rede de esgotos. Ela reclamou que os acessos aos bairros têm altos índices de assaltos.  

Ela fez críticas também à atuação da polícia nas comunidades e defendeu o direito de manifestação. “No último domingo, tivemos nosso poder de povo reprimido pela polícia, que nos obrigou a protestar a 300 metros de distância da rodovia. Essa rodovia que nós ajudamos a pagar”, reclamou.

O líder comunitário Otoniel Firmino ficou emocionado durante o uso na tribuna da Assembleia. Ele tem figurado nas redes sociais com manifestações contra o pedágio e contra a renovação do contrato. E reclamou que, apesar das multas que recebeu por uso do carro de som, não vai desistir. “Vamos lutar incansavelmente pelo fim daquele pedágio porque 25% da renda dos trabalhadores das nossas comunidades do entorno ficam para Rodosol”, afirmou.

O líder jovem Arthur Pereira também protestou em relação ao cerceamento das manifestações populares e à falta de resposta da concessionária para as demandas das localidades. “Sinto falta na mesa dos representantes da empresa? Cadê eles? Mais uma prova do descaso com a população”, pontuou. 

Convidados

Convidado do evento, o ex-deputado federal e estadual e ex-prefeito de Vila Velha Max Filho (PSDB) sugeriu que seja realizado um plebiscito ou referendo para aferir a satisfação dos capixabas com os serviços da Rodosol. “A pauta importante hoje aqui é acender essa mobilização popular. Essa força mostrada pela comunidade é um indicador”, apontou.

O representante da OAB na reunião, Anderson Ferreira Félis, disse que a Ordem tem uma comissão que está estudando as questões relativas à Rodosol, cujo contrato se encerra em 2023.

Segundo ele, após a análise dos fatos, a instituição poderá optar por uma ação civil pública ou ação coletiva. “O momento da mobilização popular é agora, porque depois que a prorrogação for aprovada, não vai adiantar”, defendeu o advogado.

Nova audiência

A comissão deliberou, ao fim dos trabalhos, pela realização de uma nova audiência pública num prazo de 30 dias. O deputado Delegado Danilo Bahiense (sem partido)  disse que o colegiado vai se manter mobilizado: “A gente paga um absurdo e não tem as estradas que a gente merece”, ressaltou. 

O colegiado pretende trazer respostas para questões apontadas na reunião de quarta (9), como as denúncias de intervenção da polícia nas manifestações. O deputado Capitão Assumção (Patri) aprovou o convite ao Comando Geral da PM, ao secretário de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, e ao comando da corporação em Guarapari para explicações. 

“Só para dar alguns esclarecimentos, nós já apresentamos uma representação no Ministério Público para reavaliar a ampliação da faixa de isenção dos residentes no entorno do pedágio. E vamos continuar as apurações para que a gente tenha um relatório pronto para entregar ao governador”, finalizou Von.

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