Taquigrafia: o registro em tempo real

Sistema de escrita por meio de símbolos e abreviações é usado para registrar discursos, votações e debates que acontecem no Legislativo

Por Silvia Magna, com edição de Nicolle Expósito

Mãos escrevem símbolos em papeis
Taquígrafos registram até 150 palavras por minuto e o processo exige concentração, atenção e rapidez / Foto: Lucas S. Costa

O setor de taquigrafia da Assembleia Legislativa (Ales) ajuda a garantir a transparência e a preservação da memória dos atos parlamentares. Os servidores responsáveis por fazer esses registros, os taquígrafos, são juramentados e têm fé pública, uma vez que as notas taquigráficas têm valor documental.

O ofício de taquígrafo, que foi instituído no Brasil em 1823, tem a missão de registrar fielmente, e em tempo real, tudo o que acontece durante sessões ordinárias, extraordinárias, solenes e preparatórias, além de reuniões das comissões permanentes e temporárias.

Parece simples, mas é um trabalho minucioso, demorado e de enorme responsabilidade, exigindo muita concentração, atenção e agilidade do servidor, que registra até 150 palavras por minuto. O processo conta com diversas fases e técnicas diferenciadas de escrita, que utilizam fonemas e vogais, bem como símbolos e sinais originados da geometria e de letras comuns.

Como funciona

No Parlamento capixaba dois métodos são utilizados para desenvolver o trabalho: Leite Alves, desenvolvido em 1929 pelo estudante de medicina Oscar Leite Alves; e o Martí, criado pelo gravador e taquígrafo espanhol Francisco de Paula Martí Mora, no século XVII, e considerado o mais antigo do Brasil.

Na sala de taquigrafia, que fica no térreo, ao lado do Plenário Dirceu Cardoso, trabalham 38 servidores que produzem as atas taquigráficas que estão disponíveis para consulta pública no Diário do Poder Legislativo (DPL), no portal da Assembleia.

“A cada cinco minutos um apanhador fica responsável por registrar os discursos, votações e tudo o que é dito em uma sessão ou reunião, acompanhado por um taquígrafo revisor, que ficará por dez minutos. O taquígrafo apanhador leva de 40 a 60 minutos para transcrever os cinco minutos que registrou. Posteriormente, esse trabalho é revisado pelo profissional que o acompanhou em plenário. Na sequência, é juntado todo o serviço revisado pelo setor de montagem de ata, que o supervisiona e envia para publicação no Diário do Poder Legislativo”, esclarece Oziel dos Santos Andrade, diretor de Taquigrafia Parlamentar.

História

A palavra taquigrafia tem origem grega e significa “escrita rápida”.  A história da técnica remonta à antiguidade e muitos povos reivindicam sua invenção, como hebreus e gregos.

Segundo historiadores, o registro mais antigo data do ano 300 A.C, quando o general Xenofonte desenvolveu o hábito de escrever de forma abreviada a fim de dinamizar os registros diários de batalhas e discursos para a tropa.

Mas um dos documentos históricos mais conhecidos e respeitados são as “Notas Tironianas”, sinais inventados por Marco Túlio Tiro, escravo do político romano Cícero em 70 a.C, durante um discurso contra Verres.  Em 63 a.C. Tiro utilizou a mesma técnica para registrar o discurso de Cícero no julgamento de Catilina, conhecido como “As Catilinárias”.

A chegada do ofício ao Parlamento brasileiro deve-se a José Bonifácio de Andrada e Silva que, em 3 de maio de 1823, durante a instituição da primeira Assembleia Constituinte, observou a importância de registrar as sessões parlamentares utilizando profissionais habilitados, como já acontecia em outros países que visitara.

Naquela época, existiam poucos taquígrafos e os registros eram feitos com pena de pato. Além disso, sofriam com a falta de estrutura dos plenários e com o preconceito, já que não podiam entrar no local, reservado exclusivamente aos senhores constituintes. Os taquígrafos eram obrigados a permanecer a grande distância dos oradores que, muitas vezes, realizavam suas tarefas próximos a portas e janelas, sofrendo interferência dos sons vindos das ruas. 

Para saber mais sobre a história da taquigrafia*

*Sites pesquisados para a matéria

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