Ciência e Tecnologia debate internet rural

Expansão do serviço para áreas mais afastadas dos centros urbanos e proposta para reduzir custos de operadoras foram pontos na pauta do colegiado

Por João Caetano Vargas, com edição de Nicolle Expósito

Palestrante em pé faz explanação enquanto é observado pelo deputado Alexandre Xambinho
Álvaro França apresentou projeto de incentivo para que provedores invistam na internet rural / Foto: Lucas S. Costa

Especialistas e gestores das áreas de tecnologia e agricultura se reuniram na Comissão de Ciência e Tecnologia, nesta terça-feira (14) para debater o tema “Internet Rural: Iniciativas voltadas para a difusão e aplicação da tecnologia da informação nas áreas rurais e pesqueiras do estado do Espírito Santo”. Para fazer uma palestra sobre o assunto, o colegiado recebeu o diretor da empresa GTI Telecomunicações, Álvaro Araújo França.

Motivação

Na primeira parte de sua explanação, o convidado se dedicou a explicar os motivos que existem para levar a internet até as áreas rurais. Ele dividiu o tema em cinco principais motivações: melhor gestão do agronegócio; interligação das casas, equipamentos e o controle e monitoramento remoto dos mesmos; segurança; educação, com ênfase no Ensino a Distância (EAD); e entretenimento.

Desafios

O gestor também falou sobre os desafios para implantar a tecnologia nessas áreas. “Hoje os investimentos são altíssimos, principalmente no momento que nosso mercado vivencia: aumento de dólar, falta de equipamento no mercado. Também temos a questão de aluguel de morros e terrenos. Como nosso interior é bem montanhoso, em algumas partes, então a gente precisa cada vez mais de espaço para abranger uma maior área. Temos também a questão do aluguel de postes”, pontuou.

Fotos da reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia

Além dos pontos citados, o especialista também fez referência às altas taxas cobradas pelos órgãos gestores, a questão da infraestrutura dessas localidades estarem aptas a receberem esse tipo de tecnologia e, por fim, uma densidade satisfatória de clientes para que as instalações sejam viáveis financeiramente. “No interior você tem uma quantidade mínima de clientes. Quando você vem pra capital você tem uma superpopulação, onde você consegue diluir isso”, explicou.
 

Custos
 

O palestrante falou sobre os altos custos que na maioria das vezes inviabilizam o prosseguimento dessas instalações. “Hoje o investimento em equipamentos para ativar um cliente em FTTH, que é a fibra óptica, gira em média de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil. Então, quando um provedor de internet ativa a internet na casa de um cidadão (da zona rural), ele vai custar no mínimo R$ 1,5 mil para esse provedor. Já no rádio, o custo mínimo é de R$  2 mil”, afirmou.

Projeto Internet Rural
 

O gestor apresentou um projeto que consiste em viabilizar a ativação de pontos de internet na área rural. A ideia é oferecer subsídios e incentivos da taxa de instalação da internet na residência para os provedores que aderirem ao projeto para, dessa forma, ser possível oferecer uma internet de baixo custo a moradores da zona rural. A proposta é apostar em Parcerias Público Privadas (PPP), envolvendo também o cidadão.

“Precisa ser trabalhado um plano específico para essa finalidade. Quando a gente reduz o custo de investimento de um provedor isso viabiliza inicialmente ele fazer essa rede e explorar ela comercialmente, atendendo o máximo de pessoas naquela localidade”, ponderou.

O presidente do colegiado, deputado Alexandre Xambinho (PL) concordou com o palestrante que seria importante uma contrapartida do governo para incentivar os provedores a aderirem a esse tipo de projeto. “Reduzir o custo dessa questão para levar a rede e outras alíquotas e taxas que vocês precisam pagar ao governo, reduzindo ou até mesmo isentando”, sugeriu o parlamentar.

Governo

O coordenador de projetos da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), João Marcos Augusto Chipolesc, explicou que o projeto apresentado é bastante semelhante ao que está sendo desenvolvido pelo governo. “Em 2019 começamos também o projeto de internet rural, um projeto de alta velocidade no campo. O nosso projeto é muito semelhante ao que o Álvaro apresentou aqui. Fazer esse incentivo para as operadoras levarem esse sinal de alta velocidade às comunidades do campo”, comparou.

A proposta também inclui a instalação de um ponto gratuito de distribuição de wi-fi na comunidade. “A gente também ia colocar um ‘hotspot’ (ponto de distribuição de internet) em um local da comunidade. Nós estamos trabalhando com o conceito de comunidade rural. Escolheríamos esses locais, uma igreja, uma escola, uma quadra pra inserir o nosso hotspot, nosso centro de distribuição. Ficaria gratuito, um sinal de wi-fi gratuito num raio de 100 metros.”

Operadoras locais

O deputado Alexandre Xambinho lembrou que as grandes operadoras de telefonia e internet na maioria das vezes “roubam” o espaço das micro e pequenas empresas locais. O parlamentar também ressaltou que essas grandes companhias deveriam ser fiscalizadas de maneira mais severa. “Nós temos que trabalhar com o que a gente tem dentro de casa, que são os provedores, as operadoras locais capixabas, que nós temos muitas aqui no estado, e que às vezes são muito penalizadas”, concluiu. 

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