Feira chama atenção para questão da saúde mental

Atividades culturais e artísticas fazem parte do cotidiano dos usuários dos serviços de tratamento

Por Gleyson Tete, com edição de Titina Cardoso

Estandes com produtos e pessoas circulando pela feira
Primeiro dia da Feira de Economia Solidária e Saúde Mental movimentou a Assembleia Legislativa / Foto: Lucas S. Costa

O pilotis da Assembleia Legislativa (Ales) foi palco, na tarde desta sexta-feira (10), de um conjunto de atividades voltadas para os usuários de serviços de saúde mental. Teve música, literatura, arte e muita animação. Tudo para trazer visibilidade para essas pessoas, promover a ressocialização e atenuar o estigma de parte da sociedade.

Confira o álbum de fotos 

Fabiola Leal é professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), uma das organizadoras da I Feira de Economia Solidária e Saúde Mental do Espírito Santo e falou sobre os participantes do evento. “São pessoas que frequentam o serviço da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Hoje temos mais de 30 Caps (Centros de Atenção Psicossocial) no Estado e 11 serviços participando aqui, junto com as famílias e os profissionais”, disse.

A professora destacou, ainda, a importância da Raps no Estado e cobrou mais investimentos para ampliação dos serviços para os 78 municípios capixabas. “A rede é potente, mas não é satisfatória porque temos um vazio de assistência, não chega a todos os municípios e pessoas que dependem desse tipo de atendimento. Precisamos de recursos, financiamento e concurso público para os profissionais para que a rede funcione”, explicou.

Para Fabiola, a feira é uma oportunidade para dar mais visibilidade para as pessoas que utilizam os serviços de saúde mental, gerar renda e quebrar barreiras. “Precisamos colocar as pessoas no meio social, no convívio, no trabalho comum. Elas são habilitadas ao serviço comum e tem que estar em todos os espaços da sociedade”, afirmou.

Luta antimanicomial 

Outro ponto levantado pela professora foi a luta dos profissionais que atuam na área para não permitir retrocessos na política de saúde mental. “Vivemos um retrocesso de tentativa de retorno dos manicômios, não os tradicionais, que há 30 anos tentamos fechar. No Espírito Santo não temos mais esse fechados, com estrutura asilar, mas temos comunidades terapêuticas religiosas com características semelhantes, com enclausuramento, violação de direitos humanos, pessoas ficando internadas por longo tempo e tudo isso financiado por recurso público. Somos contrários a esse tipo de instituição”, frisou.

Uma das participantes da feira é Sunamita Gomes, que é atendida por um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Ela contou como foi recebida no serviço, da luta contra a depressão e de como o acolhimento da equipe e dos usuários mudou a vida dela. “Estava preparada para tirar minha vida. Cheguei ao Caps nos últimos minutos de uma sexta-feira e foi aberta uma porta para eu continuar vivendo. Estava em situação de desespero total. No Caps, me identifiquei com as pessoas, antes me sentia deslocada”, salientou.

Sunamita lamentou as dificuldades encontradas para se inserir no mercado de trabalho e como a economia solidária ajuda no tratamento da sua doença. “Para o mercado de emprego não estou boa, mas para o INSS estou boa. É muito confuso para mim. No Caps, faço as oficinas, que tiram o foco dos meus problemas diários. (...) A acolhida da economia solidária é boa demais. O trabalho me faz sentir útil, traz dignidade. É um prazer ter o apoio da sociedade e contar com essa parceria das instituições”, disse.

Programação 

Neste primeiro dia de atividades, houve apresentações culturais, musicais e lançamento de livros. O músico capixaba André Prando foi um dos artistas que se apresentaram. A feira, que faz parte de um projeto de extensão do curso de Terapia Ocupacional da Ufes, prossegue neste sábado (11) com diversas oficinas, roda de conversa e mais atrações culturais. 

Confira a programação: 

Sábado (11) 
9h – Oficina de ginástica laboral com Caps Ilha (Vitória)
9h30 – Oficina de capoeira com Caps II Vila Velha
10h – Oficina de canetas com Caps II Linhares
           Oficina de bolsas com Caps II Vila Velha
10h30 – Roda de conversa sobre a V Conferência de Saúde Mental
               Abertura com Adalberto – Caps II Ilha (Vitória)
13h – Oficina de mosaico e dobraduras com Caps Mestre Álvaro
           Oficina de fanzines com Caps II Vila Velha
           Oficina de cartões/cartas com Caps II Vila Velha
14h – Atração cultural: Caps AD Laranjeiras e Casa Lar com momento poético
15h – Microfone aberto (para quem quiser cantar, declamar poesia, apresentar uma performance)
16h – Atração cultural: Voz e violão Andrey Duarte – Coletivo ACALME
16h15 – Atração cultural: DJ Natty Dread – Kultura Hip Hop – Empreender Jovem
16h30 – Atração cultural: Caps Cidade com roda de expressão oral

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