TCE faz auditoria sobre oferta de mamografias

Levantamento constatou queda do número de exames realizados, demora na entrega dos resultados e falta de equipamentos

Por João Caetano Vargas, com edição de Angèle Murad

Mulher em pé fala ao microfone perto de telão com eslaide; 2 homens sentados estão voltados pra ela
A auditora Maitê Aguiar apresentou à Comissão de Saúde os resultados do levantamento / Foto: Ana Salles

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Ales) recebeu, nesta terça-feira (7), a auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), Maitê Cardoso Aguiar. A convidada apresentou os resultados de uma auditoria operacional realizada pelo órgão para diagnosticar os motivos da escassez na oferta de exames e do atraso no diagnóstico do câncer de mama no Espírito Santo.

O objetivo foi avaliar se a quantidade de equipamentos, insumos e profissionais disponíveis para realizar as mamografias está adequada ao atendimento da população e quais os principais aspectos que estariam impedindo ou retardando a realização de exames de detecção precoce de câncer de mama no estado.

Álbum de fotos da reunião

Menos exames

A auditoria detectou uma forte queda na realização dos exames. O levantamento feito com mulheres de 50 a 60 anos apontou que em 2019 foram realizadas mais de 66 mil mamografias no estado. O número caiu para cerca de 36 mil em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus. 

“Até junho deste ano a gente ainda estava com uma média muito baixa, de 19.291. Nós tivemos uma suspensão durante um tempo, da oferta do serviço e também tivemos uma diminuição da procura”, diagnosticou Maitê Aguiar.

A auditora mostrou preocupação também com a discrepância do número de exames realizados em diferentes municípios capixabas. “Essa falta de equidade de distribuição dentro do estado foi um dos critérios da nossa auditoria para a seleção dos municípios que nós iríamos (estudar)”, explicou.

Demora no diagnóstico

O relatório apontou uma grande demora na entrega do resultado dos exames. Dos 225 mil exames realizados entre 2017 e 2020, mais de 98 mil demoraram mais de 60 dias entre a solicitação e a entrega do laudo. “Quando eu falo em mais de 60 dias, eu posso estar falando em 65 dias, eu posso estar falando em um ano, um ano e meio”, lamentou.

Modernização do processo

Outra falha apontada pela auditoria está no uso das tecnologias disponíveis para fazer o acompanhamento dos exames. “Ainda existem municípios do estado que trabalham com papel, que não têm toda a população cadastrada. Isso atrapalha o trabalho do agente de saúde, que não tem como coordenar”, afirmou. 

A auditora aponta que esse atraso não atinge somente o monitoramento dos procedimentos: “A gente já tem sistemas disponibilizados pelo Estado, pelo Ministério da Saúde. Isso é algo que atrasa não só a questão da mamografia, mas traz um atraso para toda a atenção básica”, sentenciou.

Soluções

Para Aguiar, existem medidas simples que podem ser adotadas pelos municípios para sanar as falhas detectadas. O estudo apontou que grande parte das prefeituras tem apenas um equipamento disponível para realizar as mamografias. Além de não absorverem toda a demanda, os mamógrafos chegam a ficar meses paralisados aguardando manutenção após apresentarem defeitos. A auditora sugere a contratação de mais serviços para evitar esse tipo de problema.

Saber o tamanho do público-alvo na hora de fazer o planejamento do número de exames que precisa ser ofertado pela rede também é outra medida fundamental. Além de conhecer o público-alvo, a convidada explica que é preciso saber se comunicar com essas mulheres. 

“O gestor precisa entender o porquê de essa mulher não estar comparecendo. A gente pode ter aspectos culturais, como, por exemplo, comunidade pomerana, que tem sua particularidade, uma comunidade indígena tem outra particularidade, para trabalhar uma comunicação eficiente com cada grupo. Mas precisa saber por que ela não está chegando na rede”, concluiu.

O deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) concordou com a palestrante. “Se você for na Secretaria de Saúde, hoje eles vão falar que não tem fila de mamografia. Mas você vai em tudo quanto é lugar e tem um estoque de mamografia (a serem realizadas) e vocês tiveram a oportunidade de ver isso pessoalmente. Existe uma falta de comunicação, de informação, a regulação é difícil”, apontou.

O parlamentar lembrou que grande parte das prefeituras enfrenta problemas no financiamento da saúde, especialmente nos municípios com menor arrecadação. “O financiamento da urgência e emergência, que não é barato e é uma obrigação do município, leva uma grande parte do orçamento, que já é pequeno, especialmente de prefeituras pobres do interior”, comentou.

Prevenção

O vice-presidente do colegiado também falou na prevenção ao câncer de mama. “Se nós investirmos na prevenção, nós estaremos dando uma perspectiva de vida maior para essa população, com qualidade de vida. E do ponto de vista econômico porque, se você faz um rastreamento e detecta uma lesão inicial, o tratamento é fácil, todos são curados. Agora, se você perde seis meses, uma lesão que cresce, a paciente terá que fazer uma cirurgia grande, tem infiltração de gânglios, tem que fazer quimioterapia, radioterapia e isso é muito caro”, disse Mameri.

Ensino médico

A reunião foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Doutor Hércules (MDB). O parlamentar aponta uma queda na qualidade do ensino médico como uma das causas da baixa qualidade do serviço oferecido. “Essa dificuldade do exame é muito grande, muita gente desiste. É um desleixo muito grande dos municípios e dos estados. Por outro lado o Brasil tem piorado cada vez mais o ensino médico. Com a ploriferação de ‘faculdadezinhas de fundo de quintal de medicina’, infelizmente ensina-se muito pouco”, opinou.

Doutor Hércules disse que muitos profissionais saem da universidade sem o preparo adequado para ingressar no mercado de trabalho “O médico hoje, coitado, sai dessas ‘faculdadezinhas’, vai fazer um concurso e não vai passar. Se ele for tentar fazer uma prova de residência, ele não vai passar, mas não passa mesmo. O estudo médico foi muito desvalorizado”, finalizou. 

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