"Cão-guia" robô é apresentado a deputados

Batizado de Lysa, tecnologia capixaba pode ser alternativa para auxiliar locomoção de deficientes visuais 

Por Marcos Bonn, com edição de Angèle Murad

Um homem e 1 mulher sentados e de costas e à frente deles 2 homens e 1 mulher sentados atrás de mesa
Iniciativa foi tema de reunião da Comissão de Saúde / Foto: Ana Salles

A Comissão de Saúde conheceu, na reunião desta terça-feira (30), o “cão-guia” robô batizado de Lysa. A invenção foi apresentada pela CEO de uma empresa capixaba de Tecnologia de Informação, Neide Sellin, e promete ser mais uma alternativa para auxiliar pessoas com deficiência visual. A nova tecnologia, que demorou 10 anos para ficar pronta, já está em fase de produção e inicialmente será utilizada em ambientes internos. 

Sellin detalhou as funcionalidades da Lysa. O robô fica no chão, é movido por rodas e pesa em torno de 2,8 Kg. Dispõe de uma alça, parecida com a rédea do cão-guia, mas, nesse caso, há botões para aumentar e diminuir a velocidade do aparelho e o volume do som, além de vibrar quando os objetos são identificados. Dotado de inteligência artificial, câmeras e sensores, o robô “fala” quando existem obstáculos, inclusive os aéreos, à frente do usuário e que podem machucar. 

Atualmente, explicou a CEO da empresa, a Lysa já mapeou 80 objetos por meio de sua câmera, como carro, pessoa, vaso de planta e vai “aprendendo” com o uso. “Se ela perceber um carro, ela fala para o usuário”, afirmou Sellin. O robô é alimentado por uma bateria com autonomia de 8 horas, mas pode ser substituída por outra – são necessárias de 4 a 6 horas para recarga – e ainda conta com um software embarcado para fazer os mapas dos locais.

Conforme a empresária, a invenção hoje é voltada para espaços indoor, como shoppings e aeroportos. O próximo passo será a navegação em espaços abertos. “Ela segue sempre em linha reta, com a orientação do usuário. Se por acaso o usuário não tem conhecimento daquele espaço, ela precisa ser treinada, ensinada”, esclareceu. Feito o reconhecimento, o robô pode ter a navegação acionada por meio da voz. As coordenadas são feitas por um sensor como o dos carros autônomos. 

O desenvolvimento do “cão-guia” robô contou com a participação de mais de 200 pessoas que fizeram testes e já existem 100 pedidos sob encomenda – 20 deles serão para o Espírito Santo. Há oito solicitações de patente envolvendo o projeto. Neide Sellin revelou que, neste ano, a iniciativa recebeu mais de R$ 3 milhões de investimento de fundos públicos de pesquisas. “Sem esses apoios, com certeza a gente não conseguiria chegar a espaço nenhum.” 

De acordo com ela, Lysa pode ser uma opção para os 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual que vivem no Brasil, onde existem no máximo 250 cães-guias. Poucas instituições são especializadas no treinamento desses animais, cujo período de preparação pode levar até dois anos. O cão-guia é entregue de maneira gratuita ao usuário, mas os custos variam de R$ 30 mil a R$ 80 mil. A expectativa de vida deles é pequena, fora gastos de saúde e alimentação. 

Álbum de fotos da reunião

O servidor público Carlos Ajur, que é cego, aprovou a iniciativa. “Tudo que vem para contribuir para a independência da pessoa com deficiência no mundo é salutar”, disse. Ele reiterou as dificuldades para se obter um cão-guia no Brasil e destacou dificuldades extras que 80% desse público-alvo enfrenta, como a baixa renda. Trabalhando no Núcleo Otacílio Coser da Assembleia Legislativa (Ales), Ajur sugeriu que unidades do robô sejam disponibilizadas no aeroporto e na rodoviária, bem como em shoppings e hospitais. 

Sobre os custos, Neide Sellin afirmou que trabalha com a possibilidade para que sejam subsidiados por meio de leis de incentivo a fim de distribuir Lysa de maneira gratuita, inclusive com patrocínio de governos de fora do país. De acordo com a empresária, o custo unitário do robô -  R$ 15 mil - corresponde a “praticamente o preço das peças”. Além disso, 60% do valor é referente a imposto. 

“Sou formada em Ciência da Computação. Sempre busquei desenvolver tecnologias que pudessem ajudar o mundo de alguma forma”, salientou a empresária. “Ela (Lysa) muda a maneira de as pessoas verem a tecnologia, dá mais dignidade, mais empoderamento para a pessoa com deficiência visual”, completou.

Presidente da Comissão de Saúde, Doutor Hércules (MDB) criticou a ausência do poder público no processo de desenvolvimento do projeto, e sugeriu que Sellin e a executiva de vendas Flavia Mattos dos Santos procurassem o Instituto Unimed Vitória para viabilizar uma parceria. 

Outra proposta apresentada foi que buscassem contato do cantor capixaba Roberto Carlos para divulgar a invenção. Segundo explicou o parlamentar, o artista é sensível à causa devido a um filho com problema na visão. Dr. Emílio Mameri (PSDB) também participou da reunião.

Curiosidades

O robô “cão-guia” está entre as 12 maiores tecnologias mais inovadoras no mundo em um prêmio concedido em Singapura. Conforme Neide Sellin, o nome Lysa (com y) é inspirado em Steve Jobs, que, antes do surgimento da marca Apple, havia lançado o primeiro computador de nome sugerido Lisa, que acabou não vingando. O nome pequeno e simples também tem apelo global, explica ela.  
 

Comissões: Saúde
Matéria veda homenagem a escravocratas
Prédios públicos também não poderão ter o nome de defensores da ditadura militar, nazistas, condenados por racismo, entre outros
Condutor de viatura pode ficar isento de pagar CNH
Proposta beneficia servidores das polícias Civil, Militar, Penal, Bombeiro Militar e do Iases responsáveis pela condução de veículos dos órgãos
Reunião debate segurança em transporte escolar
Segundo advogado, motoristas de aplicativo estariam realizando transporte de estudantes de forma irregular
Deputado alerta para uso responsável de auxílio
Majeski criticou oferta de crédito consignado para o Auxílio Brasil e lembrou os altos juros cobrados nos empréstimos
Matéria veda homenagem a escravocratas
Prédios públicos também não poderão ter o nome de defensores da ditadura militar, nazistas, condenados por racismo, entre outros
Condutor de viatura pode ficar isento de pagar CNH
Proposta beneficia servidores das polícias Civil, Militar, Penal, Bombeiro Militar e do Iases responsáveis pela condução de veículos dos órgãos
Reunião debate segurança em transporte escolar
Segundo advogado, motoristas de aplicativo estariam realizando transporte de estudantes de forma irregular