Recuperação de restinga é tema em Meio Ambiente

Comissão conheceu mais sobre a importância e ações realizadas para preservar vegetação presente em faixa arenosa costeira

Por João Caetano Vargas, com edição de Nicolle Expósito

Imagem de Cristina Puppin aparecem em tela de computador
Cristina Puppin: em seis anos projeto do Instituto Movive recuperou cinco hectares de restinga / Foto: Facebook/Instituto Movive (capa)/Lucas S. Costa (interna)

Para falar sobre o trabalho desenvolvido pelo Instituto Movive na recuperação da vegetação de restinga, em especial no município de Vila Velha, a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa (Ales) se reuniu de maneira remota nesta quarta-feira (29). O projeto Amigos da Restinga e a origem desse tipo de bioma estiveram entre os assuntos abordados.

A conselheira do instituto, Cristina Puppin, apresentou os resultados do projeto Amigos da Restinga, que atuou desde 2012 na recuperação de áreas degradadas na Praia da Costa, Itapoã e Itaparica, na orla de Vila Velha. O trabalho foi concluído em 2018 com a entrega de cinco hectares de vegetação recuperada. Ao todo foram plantadas 600 mudas de 18 espécies nativas da região.

“A comunidade traz essas demandas pra gente e a gente junta esses atores que formam o tecido social, que é o governo e o setor produtivo, com as suas corresponsabilidades dentro do processo de qualquer projeto. Então a gente entende que todos esses atores são responsáveis pela cidade e todos deveriam trabalhar juntos. Esse é o entendimento nosso, que a gente faz e que dá certo”, explicou.

A convidada esclareceu que o projeto foi desenvolvido com a ideia de envolver especialmente as pessoas que frequentam o ambiente, que é quem realmente irá se beneficiar diretamente do trabalho. Moradores da região e frequentadores das praias, pescadores, ambulantes e demais comerciantes do entorno, desportistas, condomínios e escolas em torno da área de atuação. Todos participaram por meio de mutirões de plantio, feiras, distribuição de informativos, entre outras ações voluntárias.

Veja fotos da reunião

Expansão

O sucesso dos resultados despertou o interesse de outros municípios e o trabalho acabou sendo desenvolvido em outras praias capixabas. “A gente teve essa replicação do projeto. O projeto ‘bombou’ e a gente foi pra São Mateus, Aracruz, Camburi, Barra do Jucu, Iriri e Marataízes, replicando o projeto e ele é pra ser replicado mesmo, é um projeto de todos”, salientou.

Manutenção

O presidente do colegiado, deputado Dr. Rafael Favatto (Patri), parabenizou a iniciativa e falou da importância da manutenção do trabalho realizado. “Às vezes muitos programas têm o incentivo inicial, coloca a demanda, coloca lá o programa e não tem a continuidade, a manutenção do projeto. Então acho que a gente precisa pensar num novo modelo de gestão, além de colocar realmente o projeto em exercício, pensar na manutenção desse projeto”, pontuou.

O parlamentar lamentou que muitos políticos usem o meio ambiente somente como plataforma de promoção e depois abandonem as causas. “Porque muitos são abandonados, só sendo renovados e replanilhados numa outra gestão, num outro momento. São projetos voltados pro meio ambiente, que muitas das vezes a pessoa quer tirar a foto inicial, falar que é amigo do meio ambiente e depois não dá continuidade real na manutenção”, criticou.

Origem da vegetação

O ambientalista do Instituto Jacaranema de Pesquisa Ambiental (Injapa), Petrus Lopes, deu uma aula sobre a vegetação de restinga, explicando a sua origem e do que ela é formada. “O solo restinga foi formado com as regressões marinhas, quando o mar avançou, por exemplo, em Vila Velha e aumentou o nível atual em até 8 metros, que são as classificações que a gente tem em relação ao nível do mar na costa do Espírito Santo”, explanou.

O especialista explicou que o quartzo, que é a matéria prima básica tanto da areia que encontramos na praia ou até mesmo da areia usada na construção civil, é também o principal responsável pela formação. “A influência do solo, da chuva, do calor, da água doce, da água salgada, que fragmenta a rocha e que gera o quartzo, que é o material primário da formação restinga”, afirmou.

O convidado explicou que a cor da areia varia principalmente pelo distanciamento do mar, quanto mais longe do mar, mais clara é a areia. “O fato do grão se manter úmido em função do sal da praia, deixa a areia da praia com esse tom amarelado, meio rosado, na maioria das vezes quando você tem uma praia com uma concentração maior de sal. Em relação a areia branca é porque ela foi lavada pela chuva, por um rio, por algum ecossistema de água doce, então, sem sal na areia, ela fica seca e branca”, ensinou.

Origem do nome

O nome vem de uma fusão do latim com o tupi-guarani: res (vegetação baixa) e tinga (areia branca). “A gente acredita que na colonização dos portugueses, que os padres que faziam esse tipo de trabalho fizeram a fusão dessa palavra, que a gente acabou até mesmo trazendo para a biologia esse nome”, explica.

Fauna

Dentre as espécies típicas da fauna da restinga, o ambientalista lamentou a ocorrência, na Rodosol, de muitos atropelamentos do Jaguarundi, também conhecido como gato mourisco. Além do felino, o especialista citou outros animais como o bicho-preguiça, a seriema e o sabiá da praia. Ele destacou também a lontra como uma espécie fundamental para a manutenção do bioma. “É uma espécie bandeira, uma espécie sentinela nos processos de conservação, nos processos de regeneração e de proteção do meio ambiente, como um todo”, disse.

Agenda

A deputada Iriny Lopes (PT) também participou da reunião e sugeriu uma agenda envolvendo as entidades com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) “Pra que a gente pudesse aprofundar que tipo de projetos poderiam ser pactuados e a Assembleia, através da nossa Comissão de Meio Ambiente, ser um elo de ligação e de acompanhamento”, pontuou.

Comissões: Meio Ambiente
Aprovado fim de taxa de cartório para conselho escolar
Se virar lei, iniciativa aprovada pela Assembleia deve apoiar órgãos que representam comunidade escolar
PL que doa imóvel a VV tramita em urgência
No local já existem duas escolas, uma quadra e um Centro de Referência de Assistência Social
Finanças aprova calamidade para seis municípios
Requerimentos aprovados atendem as prefeituras de Marataízes, Vila Velha, São Mateus, Mucurici, Santa Leopoldina e Cariacica
Novo Carmélia promete reforçar área cultural
Revitalização do teatro é um dos destaques do projeto de reforma, apresentado à Comissão de Cultura da Assembleia
Aprovado fim de taxa de cartório para conselho escolar
Se virar lei, iniciativa aprovada pela Assembleia deve apoiar órgãos que representam comunidade escolar
PL que doa imóvel a VV tramita em urgência
No local já existem duas escolas, uma quadra e um Centro de Referência de Assistência Social
Finanças aprova calamidade para seis municípios
Requerimentos aprovados atendem as prefeituras de Marataízes, Vila Velha, São Mateus, Mucurici, Santa Leopoldina e Cariacica