Setembro Amarelo é pauta em Saúde

Colegiado discutiu a importância do acompanhamento sistemático do paciente de saúde mental para a prevenção do suicídio

Por Gabriela Zorzal, com edição de Angèle Murad

Dois deputados sentados atrás de mesa e, em patamar abaixo, pessoas sentadas
Reunião foi realizada na manhã desta terça-feira, na Ales / Foto: Lucas S. Costa

A tentativa de suicídio é um pedido de socorro que precisa ser ouvido, acolhido e cuidado por profissionais especializados. A campanha nacional “Setembro Amarelo” tem como objetivo quebrar o tabu em torno do tema, incentivando o cuidado com a saúde mental em uma perspectiva de prevenção. O assunto foi abordado durante a reunião da Comissão de Saúde desta terça-feira (21).

Os dados demonstram a importância de tratar a questão com seriedade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), por ano é registrada uma média de um milhão de suicídios no mundo. Durante a reunião, a psiquiatra Telma Freitas Pimenta, que coordena a campanha pela Associação Psiquiátrica do Espírito Santo, falou sobre a necessidade de um trabalho mais efetivo de prevenção. 

Atendimento individualizado 

“O serviço de prevenção, ou seja, acesso a atendimento, diagnóstico, tratamento e a internação em saúde mental, quando necessária, é um grande desafio para a saúde pública.O melhor tratamento psiquiátrico é aquele individualizado levando em consideração a demanda do indivíduo naquele momento. E isso depende de profissionais da área da saúde que entendam do assunto, que consigam detectar o comportamento suicida, que inclui o pensamento, o planejamento e a tentativa”, destacou. 

Telma Pimenta acrescentou que o suicídio é multifatorial, o que torna o problema ainda mais complexo. “Alguns fatores são individuais, como a parte genética, por exemplo. Outros fatores são chamados de moduladores, como os altos traços de impulsividade, ansiedade, uso de drogas, entre outros. E, por último, temos os chamados fatores precipitantes, que são os eventos da vida, como o luto, uma grande decepção, a sensação de desespero, que são situações adversas que podem desencadear essa situação”.

Transtornos psiquiátricos 

Plenamente evitável em 90% dos casos, o suicídio tem uma relação direta com transtornos psiquiátricos. “Não são todos os pacientes com transtornos psiquiátricos que vão se suicidar, é preciso deixar isso bem claro. Mas, 98,6% das pessoas que cometem o suicídio não estavam recebendo o tratamento necessário. E cerca de 65% procuraram um médico para falar sobre suas questões e não receberam o diagnóstico correto. Ou seja, nós precisamos tratar esse tema com muita seriedade e preparar a rede de saúde para uma assistência mais efetiva. O foco tem que ser proteger a vida”, disse a médica.

O deputado Doutor Emílio Mameri (PSDB), que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental, falou sobre a assistência na rede pública. “Sempre reforço a importância de um atendimento mais efetivo nas unidades básicas de saúde, que é, muitas vezes o local do primeiro atendimento do paciente. É muito importante que haja treinamento dos profissionais que atuam nessa área”, defendeu. 

Álbum de fotos da reunião da Comissão de Saúde

Centro de Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço 24 horas de atendimento gratuito e voluntário para pessoas que buscam apoio emocional em momentos de emergência. O serviço pode ser utilizado pelo telefone, no número 188, e também por chat, por meio do site oficial do centro.

O presidente do CVV Vitória, Carlos José Lima Faroni, falou sobre a seriedade do serviço. “Os voluntários são treinados para esse tipo de atendimento, que é a escuta em um momento específico. É um serviço que não gera nenhum registro, nenhuma gravação, ou seja, temos aqui a garantia do sigilo absoluto. É um serviço de escuta acolhedora, sem julgamentos, sem críticas, sem postura religiosa ou política. Nossa proposta é ouvir”, garantiu. 

O serviço começou a funcionar no Brasil na década de 60 e no Espírito Santo em 1984. Atualmente, são 120 postos de atendimento no país, 4 mil voluntários em serviços de escala 24 horas. Em 2020, o CVV atingiu a marca de 3 milhões de atendimentos por ano no país.

O deputado Doutor Hércules (MDB), que preside o colegiado de saúde, registrou a importância do CVV. “É um serviço de muita credibilidade e muito necessário quando falamos de saúde mental, pois ele funciona no momento de emergência com acolhimento qualificado”.  

Dependência química

O colegiado ainda conversou com o médico Jucimar Almeida, representante das clínicas de saúde mental e recuperação de drogas que prestam serviço para a rede pública de saúde. “As clínicas cumprem um papel muito importante na rede, em especial com o atendimento especializado e com a internação de pacientes com dependência química”, afirmou Almeida, que informou que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) está trabalhando em nova reestruturação da área. A participação dele foi um pedido de Mameri, que disse que o tema será discutido com o colegiado.
 

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