Estudante fala sobre pobreza menstrual

Reflexos da falta de acesso a produtos de higiene menstrual no desempenho escolar e saúde foram abordados por Laura Locatel, de 17 anos, em reunião da Comissão de Saúde

Por Titina Cardoso, com edição de Nicolle Expósito | Atualizado há 4 meses

Laura, em pé, fala em microfone enquanto deputado Emílio Mameri, sentado, observa a apresentação
Laura Locatel Gomes Silveira promoveu campanha para arrecadar itens de higiene na escola onde estuda / Foto: Lucas S. Costa

No Brasil, uma a cada quatro meninas deixa de ir à escola quando está menstruada, pois não tem acesso a absorventes higiênicos. Em média, são 45 dias de aula perdidos por ano letivo. Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e foram apresentados pela estudante Laura Locatel Gomes Silveira à Comissão de Saúde, em reunião extraordinária nesta terça-feira (3).

A adolescente de 17 anos promoveu uma campanha de higiene menstrual em uma escola particular de Vitória. Na campanha, foram arrecadados mais de 500 pacotes de absorventes, além de sabonetes e papel higiênico para doação para pessoas de baixa renda e em situação de rua.

Confira a cobertura fotográfica da reunião

A ideia surgiu quando ela e o pai, João Gomes da Silveira – que também participou do encontro da comissão –, reuniram roupas e itens de higiene para pessoas em situação de rua. Ao entregarem a doação para uma mulher o que ela mais agradeceu, segundo Laura, foi a doação dos absorventes.

Dignidade

“É uma oportunidade de ter uma menstruação digna”, ressaltou a estudante. “E não é só ter o absorvente, mas ter conhecimento sobre o ciclo menstrual e todas essas questões”, frisou. Segundo Laura, faltam conhecimento, acesso aos produtos, saneamento básico e banheiros equipados com papel e duchas higiênicas.

Além disso, de acordo com a aluna, ainda há muito tabu em relação à menstruação. “É como se fosse uma coisa feia, suja. E é uma coisa natural, magnífica do ser humano. As adolescentes são mais vulneráveis, pois dependem dos pais. E as famílias de baixa renda acabam optando por comprar comida em vez de absorvente. O absorvente é visto como um artigo supérfluo”, comentou.

Laura também ressaltou que as meninas e mulheres sem acesso aos absorventes acabam usando itens não adequados, o que pode causar infecções, por exemplo. “Pessoas em situação de rua pegam coisas do lixo. E mulheres encarceradas usam miolo de pão”, relatou.

Iniciativa parlamentar

A estudante foi convidada a apresentar o assunto no colegiado pelo deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB), que já apresentou uma indicação para que o governo do Estado forneça absorventes às alunas cujos pais ou responsáveis estejam inscritos nos programas sociais do governo (CadÚnico – Bolsa Família).

outras propostas em tramitação na Casa sobre o fornecimento de absorventes para estudantes, mulheres encarceradas e em situação de rua, como os projetos de lei 478/2019, de Janete de Sá (PMN); 542/2020 e 187/2021, de Luciano Machado (PV); 165/2021, de Dr. Rafael Favatto (Patri); e 170/2021, de Iriny Lopes (PT). Tramitando em regime de urgência, o projeto 165/2021 foi aprovado na sessão ordinária desta terça-feira (3). Por tratarem de tema correlato, os PLs 478/2019 e 187/2021 tramitavam conjuntamente e também foram aprovados.  

“Que esse trabalho possa crescer e atingir um quantitativo maior de pessoas necessitadas. Pessoas que não têm condição de ter esse material naquele momento que mais necessitam. Meninas que já estão menstruando perdem aula por três, quatro dias, até mais, pois não têm condições econômicas de adquirir esse material. É um item de necessidade que o governo tem que ofertar, da mesma forma que oferta uma merenda”, comentou Mameri.

O colega e presidente da Comissão de Saúde, Doutor Hércules (MDB), concordou: “Isso é de responsabilidade do poder público. O poder público tem que ser obrigado a fornecer isso”, disse. De acordo com o deputado, a comissão fará a interlocução com o governo para que o fornecimento de absorventes para as estudantes seja consolidado em lei.

A reunião também contou com a presença dos coordenadores da escola onde Laura Locatel estuda: Élio Serrano Pereira Júnior e Luana Pittizer Bahiense. 
 

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