Veterinário pede notificação de zoonose

Notificação obrigatória da esporotricose serviria para traçar estatística epidemiológica da doença ainda pouco conhecida

Por Marcos Bonn | Atualizado há 29 dias

Tela exibe imagem de Romeu Luiz de Podestá Junior
Segundo Romeu, micose atinge geralmente gatos e pode ser transmitida a humanos / Foto: Ana Salles

Na reunião virtual da Comissão de Saúde desta terça-feira (13), o médico veterinário Romeu Luiz de Podestá Júnior destacou a importância de tornar a esporotricose uma zoonose de notificação compulsória (obrigatória). Segundo explicou, não há essa determinação quando se trata de atendimento animal - diferentemente de como é feito com a raiva ou a leishmaniose, por exemplo. 

A esporotricose, explicou o especialista, é uma micose causada por fungo encontrado no meio ambiente que, quando entra em contato com os bichos e humanos, torna-se doença. “É uma doença ocupacional, chamada de doença do florista ou doença do jardineiro, que acomete todos os animais, mas o felino doméstico é o que mais é atingido”, detalhou. A patologia costuma se apresentar por meio de lesões na pele, mas pode acometer demais órgãos do bicho e matar.

O veterinário da Prefeitura de Vitória avaliou que existe uma endemia da zoonose na Grande Vitória. Para Romeu Podestá Júnior o estabelecimento da notificação compulsória por força de lei estadual ajudaria a dar mais clareza sobre dados como o número de casos e as áreas de maior prevalência. 

“A importância está na investigação dos casos, a gente conhecer os casos suspeitos, os casos descartados e os casos curados. Esse estudo então vai trazer para a gente a estatística epidemiológica”, salientou o especialista sobre a notificação compulsória, que só é exigida nos atendimentos humanos. 

Romeu estima que, na Grande Vitória, existam de 2 mil a 3 mil bichos com esse mal. A alteração nas notificações permitiria, de acordo com ele, criar uma rede de informação para rastrear animais suspeitos e atuar no foco da doença. Hoje casos atendidos por clínicas veterinárias acabam não chegando ao conhecimento dos órgãos de saúde. 

Conforme revelou, o que se sabe atualmente é oriundo do trabalho realizado pela Área de Controle de Zoonoses da prefeitura, que realizou, de fevereiro de 2019 a março de 2021, o atendimento de mais de 350 animais com esse problema. A maioria dos registros é da região de Jucutuquara. 

Existe ainda outra questão. “A doença é pouco conhecida. Basicamente apareceu (em Vitória) no começo do ano de 2019”, disse. O veterinário ainda observou que a esporotricose acaba passando despercebida até mesmo por especialistas no atendimento veterinário ou recebe tratamento inadequado. 

Transmissão e tratamento

A terapia consiste na administração de medicamento antimicótico oral ao animal e quanto mais cedo for descoberto o problema, maiores são as chances de cura (até 94%). A doença é, via de regra, transmitida por meio de arranhões ou lambidas de gatos infectados aos humanos, que precisam reunir condições propícias, como baixa imunidade.  

De acordo com Romeu, a prevenção se dá basicamente por meio do controle do meio ambiente, como limpar terrenos baldios para evitar a aglomeração de animais errantes, fazer a castração de gatos e mantê-los dentro de casa. O trabalho de atendimento desses casos feito pela Prefeitura de Vitória é pioneiro no estado e pode ser agendado pelo telefone 156 para quem não apresenta condições econômicas. 

O deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) reafirmou a importância das informações sobre essa zoonose, muitas vezes subnotificada pela equipe de atendimento básico de saúde. “A ideia que se tem é que nós temos um aumento no número de casos mesmo que estão chegando ao Hospital Universitário e nós não podemos ficar de mãos atadas”, considerou.    

Por iniciativa do presidente do colegiado, Doutor Hércules (MDB), foi aprovado o envio de ofício ao Conselho Estadual de Medicina Veterinária (CRMV) para que a entidade promova a fiscalização de clínicas e demais atividades que lidam com animais. A reunião também teve a participação do deputado Luciano Machado (PV).

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