Qualidade da água tratada em debate

Diante de questionamento de ONG sobre presença de substâncias nocivas à saúde, Cesan falou sobre processo de monitoramento da água antes de distribuir para consumo

Por Marcos Bonn | Atualizado há 1 mês

Tela exibe imagens de participantes de reunião da Comissão de Saúde
Representantes da Cesan e de ONG participaram de reunião extra da Comissão de Saúde / Foto: Ana Salles
 

O debate em torno da presença, acima dos limites legais, de compostos químicos nocivos à saúde na água tratada consumida pelo capixaba na Grande Vitória colocou em lados opostos a ONG Juntos SOS ES Ambiental e a Cesan. Representantes dos órgãos participaram da reunião virtual da Comissão de Saúde desta terça-feira (6).

O presidente da ONG, Eraylton Moreschi Júnior, listou uma série de matérias jornalísticas e documentos oficiais sobre a baixa qualidade da água fornecida, sobretudo na Serra. A presença de trihalometanos e ácidos halocéticos (subprodutos da cloração) foi constatada e resultou em multa aplicada pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (Arsp) à Cesan.

A presença das substâncias foi atestada por nota técnica emitida pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), que as classificou como responsáveis por “diversos danos à saúde”. No entanto, segundo Moreschi, elas têm relação com o surgimento de câncer e representam risco para os consumidores de água tratada. Ele criticou a negligência de entidades estaduais da área. 

“Os trihalometanos são considerados compostos cancerígenos e os halocéticos da mesma forma. Inclusive os halocéticos, além de serem cancerígenos, podem causar problemas reprodutivos nas pessoas que fizerem o uso continuado desses produtos”, afirmou Moreschi.

A pesquisa sobre a qualidade da água no município partiu de demanda apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde da Serra e envolveu dados coletados pela Cesan entre novembro de 2016 e novembro de 2020. Coube a representantes da companhia apresentar dados para comprovar a segurança da água captada e distribuída aos cidadãos. 

Monitoramento

A gerente de Qualidade da Água da Cesan, Juciane da Silva Motta, destacou a atenção da autarquia com o monitoramento da água, desde a captação no manancial, passando pela fase de tratamento até a distribuição. Segundo disse, o processo é balizado por legislações específicas e envolve laboratórios certificados internacionalmente.

“Toda água produzida pela Cesan é analisada antes de ser distribuída para garantir que esteja potável e própria para o consumo humano”, reforçou. “A prevenção e a solução de anomalias são acompanhadas diariamente por profissionais especializados, também utilizando equipamentos de alta tecnologia em cumprimento à legislação sanitária vigente”, completou.

O chefe da Gerência Metropolitana Norte da Cesan, André Lima, disse que “anomalias ocasionais e pontuais podem ocorrer”, mas são resolvidas “o mais rápido possível”. Ele contou que após a crise hídrica entre 2014 e 2016 observaram-se alterações das características das águas dos mananciais.

“Essas alterações influenciaram diretamente nos processos de tratamento já utilizados anteriormente, como, por exemplo, a etapa de pré-cloração, em que nós utilizamos o produto químico cloro”, explicou. “Tão logo a gente observou a formação desses subprodutos na água tratada, começamos a investigar, através do nosso corpo técnico, novas tecnologias para remoção”. 

De acordo com ele, após diversos testes, a companhia passou a optar, desde 2019, pela utilização do peróxido de hidrogênio, substituindo o cloro na pré-oxidação da água. “Temos obtido nesse período excelentes resultados, minimizando a formação do THM, os trihalometanos, e dos ácidos halocéticos”, pontuou André Lima. 

A preocupação em torno da qualidade da água foi compartilhada pelos deputados Dr. Emílio Mameri (PSDB) e Luciano Machado (PV), que cobraram mais investimentos no setor do saneamento básico. Apesar dos problemas, Bruno Lamas (PSB), vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, lembrou que a situação é ainda mais precária em municípios não abastecidos pela Cesan.

“Nenhum governo é tão bom que não possa ser melhorado. Nenhum governo é tão ruim que não tenha nada que se possa ser enaltecido”, disse. Já o presidente da Comissão de Saúde, Doutor Hércules (MDB), adiantou que condensará toda a discussão e remeterá ao Ministério Público Estadual (MPE-ES) para adotar as providências cabíveis. 

Participaram também da reunião a diretora de Saneamento Básico e Infraestrutura Viária da Arsp, Kátia Muniz Côco; o diretor operacional da Cesan, Rodolpho Gomes Có; o diretor de Planejamento e Infraestrutura Hídrica da Agerh, José Roberto Jorge; e o chefe do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental do Estado, Laperriere Júnior.
 

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