Mameri rechaça "guerra política" em torno de vacina

Além da Covid, temas como diabetes, sífilis e eleições municipais pautaram os discursos de parlamentares na sessão desta quarta

Por Titina Cardoso | Atualizado há 1 ano

Painel eletrônico exibe imagem de Dr. Emílio Mameri e lista de deputados presentes na sessão
Mameri também alertou para o aumento do número de casos de Covid / Foto: Lucas Silva

“Não importa se a vacina é de tal lugar. O que importa é termos uma vacina eficiente”. Esse foi o posicionamento expressado pelo deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) na sessão ordinária desta quarta-feira (11) a respeito da vacina da Covid-19 que vem sendo desenvolvida por diferentes países e laboratórios. 

O parlamentar, que é médico, alertou para o que considera como “politização da vacina” e criticou o presidente Jair Bolsonaro pelos comentários feitos nas redes sociais após a suspensão dos testes da vacina CoronaVac depois da morte de um voluntário. A CoronaVac está sendo desenvolvida por um laboratório chinês em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Confira a cobertura fotográfica dos trabalhos 

“Chegamos a uma guerra política em nível nacional a respeito da vacina. Infelizmente, tivemos ontem o pronunciamento do chefe maior da nossa nação comemorando a morte de uma pessoa que estava participando dos testes. Sabemos que não tem nada a ver com a vacina”, comentou Mameri. 

“Desde o início da pandemia, a desinformação, o abandono da ciência em prol do achismo vem desmobilizando muitas lideranças e pessoas que poderiam estar nos ajudando nesse esclarecimento. Condeno todos que fazem uso político em cima da desgraça do povo brasileiro”, disse. 

O deputado Theodorico Ferraço (DEM) também criticou o chefe do Executivo federal. “Comemorar porque uma pessoa morreu e, talvez, não tenha sido nem motivo da vacina. Ele deve medir muito as suas palavras porque está confundindo a opinião pública. Com saúde não se brinca”, comentou. 

Os testes com a vacina CoronaVac foram suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a morte de um dos voluntários. Na última terça-feira (10), em uma rede social, Bolsonaro respondeu a um seguidor que perguntou se o Brasil compraria a vacina: "Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria (João Doria, governador de São Paulo) queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu. A Polícia Civil investiga outra causa da morte. 

Cuidados 

Mameri aproveitou ainda para alertar sobre a “segunda onda” da Covid-19. O deputado salientou que os casos têm aumentado muito e que os hospitais estão cheios novamente. “As pessoas não estão levando a sério o problema. Isso me preocupa muito. Não temos outra alternativa de prevenção que não seja o uso da máscara, o distanciamento social e a higiene pessoal. E não precisa ser álcool gel, pode ser qualquer sabão”, ressaltou Mameri. 

Outro parlamentar que alertou para a manutenção dos cuidados com a Covid foi Doutor Hércules (MDB). “Os bares e restaurantes estão lotados e as pessoas sem máscaras. O afastamento é importante. Se você tiver febre alta, tosse seca, dificuldade de respirar, fadiga, perda do olfato ou do paladar, dor de cabeça, deve procurar o médico. A doença Já matou muita gente e se a população continuar afrouxando vai matar muito mais”, disse. 

Diabetes

Doutor Hércules também usou seu tempo para chamar a atenção para o crescimento do número de casos de diabetes no mundo. E lembrou que a diabetes é uma das comorbidades que podem agravar os casos de Covid-19. 

O parlamentar apresentou um dado alarmante: nos últimos 10 anos, houve aumento de 61,8% no número de pessoas diabéticas no mundo. De acordo com o deputado, que também é médico, a diabetes tipo 2 pode ser evitada com alimentação saudável, atividade física e controle do peso. “A diabetes traz várias complicações e uma delas é muito difícil, que é a cegueira”, alertou. 

Sífilis

Outro parlamentar médico, o deputado Dr. Rafael Favatto (Patri), falou sobre uma doença que, segundo ele, estava praticamente erradicada e vem registrando aumento de casos: a sífilis transmitida pela mãe para o bebê durante a gestação. De acordo com o deputado, que é ginecologista, os casos de transmissão da doença vêm ocorrendo devido ao pré-natal tardio. 

O medo da pandemia de Covid-19 seria um dos motivos que estariam levando as gestantes a demorar a procurar o médico. Esse atraso pode gerar graves consequências. A sífilis pode causar neuropatias em bebês e mais da metade dos recém-nascidos precisa de internação. O tratamento da sífilis, de acordo com o deputado, é muito simples se a doença for detectada precocemente. 

Eleições 

Vários deputados se manifestaram ainda sobre as eleições municipais que acontecem neste  domingo (15). Sergio Majeski (PSB) frisou que o voto não deveria ser visto como uma obrigação, mas como um direito. “A população brasileira ainda não entendeu a imensa importância que tem o seu voto. Por mais que as pessoas não gostem de política, não existe solução sem política. Quando abrimos mão da participação estamos delegando a outro a escolha”, comentou Majeski. 

O parlamentar relatou que, nas eleições presidenciais de 2018, cerca de 30 milhões de pessoas votaram nulo, em branco ou não compareceram. “Lavar as mãos não é a solução. A ideia de que não tem candidato que preste é um clichê. É uma narrativa que se criou no Brasil e que só serve para piorar a situação”. 

Ele ainda ressaltou a importância das eleições na esfera municipal, principalmente para o cargo de vereador. “Se você tiver uma boa Câmara de Vereadores, mesmo que você não tenha um prefeito bom, a Câmara vai fazer o prefeito trabalhar. Se você não estiver com sintomas de Covid, não tiver nenhum problema de saúde, vá votar. Usufrua desse direito”, conclamou. 

Janete de Sá (PMN) também se manifestou: “É no bairro que a gente mora, é no município que a gente reside. Essa eleição é determinante para o futuro de cada um de nós e do município nos próximos quatro anos. Vá votar! Quem fica em cima do muro não resolve nada. Ajude a colocar mais mulheres na política. Escolha aquela com compromisso verdadeiro com o eleitor e com a construção de uma sociedade melhor, mais justa, com mais oportunidades e com políticas públicas mais acertadas”, disse. 

Ordem do Dia

Sete vetos encabeçavam a pauta de votações desta quarta-feira (11). Já no primeiro item, o deputado Coronel Alexandre Quintino (PSL) pediu prazo para proferir seu parecer, o que acabou trancando a pauta. Por isso, nenhum projeto foi apreciado

 

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