Ales discute abordagem do suicídio na mídia

Jornalista Antônio Carlos Leite disse que é preciso diferenciar fatos isolados de movimentos em sequência

Por Gleyson Tete

Jornalistas Patrícia Bravin e Antônio Carlos Leite
Cobertura da imprensa sobre tema deve contar com auxílio de profissionais da área, aponta Cacá / Foto: Ellen Campanharo

O modo como a imprensa deve tratar episódios de suicídio na cobertura jornalística foi tema de uma live no Instagram da Assembleia Legislativa (Ales) na tarde desta quinta-feira (10). A jornalista da Secretaria de Comunicação Social (SCS) Patricia Bravin recebeu para um bate-papo o diretor de conteúdo do grupo Bandeirantes/Jornal Metro Antônio Carlos Leite, o Cacá, que possui mais de 30 anos de experiência na área jornalística.

Durante a conversa o convidado fez um apanhado do assunto, destacando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) trata o suicídio como uma doença, de onde surgiu o conceito de não noticiar os casos na imprensa, citou alguns episódios de coberturas a respeito do tema, contou situações que vivenciou de perto e apontou os caminhos que considera mais apropriados quando houver a necessidade de publicar uma história que envolva suicídio.

“Um dos primeiros registros (de suicídio) vem do século XVIII e leva o nome de um personagem de Goethe (escritor alemão), o Werther. No livro ele acaba se matando e isso provocou na época uma onda de suicídios em Viena. Levou a estudos de psicólogos depois e começou a ser discutido o que se convencionou de ‘efetivo contágio’. Durante um período foi tratado como inquestionável, a imprensa não deveria noticiar, depois foram estabelecidas algumas nuances”, explicou.

Ele lembrou que no início da década de 1990 ocorreu uma série de suicídios no metrô de São Paulo e o jornal em que ele trabalhava optou por não noticiar em virtude da ideia que prevalecia na época de não noticiar. Entretanto, considerou que, ao longo do tempo, os veículos de comunicação foram mudando um pouco o conceito. Na opinião dele, é preciso avaliar os episódios caso a caso antes de decidir o que deve ou não se transformar em uma matéria.

“Há diferença entre noticiar um fato e uma situação. Um episódio de suicídio isolado você tem que medir se vale mesmo noticiar. Qual o auxílio que você traz para a sociedade ao expor a dor de uma família? Um dos erros cometidos lá atrás era o tratamento do suicídio como fato policial. Ele recebia um tratamento sensacionalista, pesado, era um tratamento exagerado. De um bom tempo para cá se entende como questão de saúde, então o tratamento é outro”, ressaltou.

Casos emblemáticos

Dentre fatos notórios de suicídio que foram noticiados como tal ele citou a morte do então presidente Getúlio Vargas, do ator estadunidense Robin Williams e de Felipe Klein, filho do ex-ministro de Estado Odacir Klein. Esta última reportagem chegou a ganhar o prêmio Esso de jornalismo na edição de 2004. Para ele, não existe uma forma única de tratar o tema, mas é preciso sensibilidade e dimensionar o tamanho do fato.

Outro dilema exemplificado foi quanto aos episódios envolvendo a Terceira Ponte. Ele frisou que a quantidade de incidentes na principal ligação entre os municípios de Vila Velha e Vitória tornou-se tão relevante que gerou um debate sobre a necessidade de uma reforma na mesma para que pudesse minimizar as ocorrências. “Tivemos na Gazeta um episódio de paralisação da ponte que durou muitas horas, fez que as cidades ficassem totalmente paradas. Pelo nosso manual não daria nada, mas era uma exceção. Seria uma hipocrisia não dar a notícia, seria fugir demais”, salientou.

Orientação de especialistas

Cacá pontuou que a imprensa precisa tomar certas precauções para que não seja impelida a noticiar temas sensíveis, como um episódio de suicídio, por conta de pressões oriundas das redes sociais. Para o convidado é preciso sempre que os jornalistas trabalhem esses temas mais delicados com orientação de especialistas e técnicos.

Por fim, ainda enfatizou a necessidade de as associações de jornalismo e demais entidades dialogarem com as de psicólogos para encontrar formas e termos mais adequados quando for preciso abordar o assunto suicídio. Ele lembrou que já ocorreram iniciativas semelhantes para encontrar um consenso com o meio jurídico e com a área médica em suas respectivas áreas de atuação.

“A partir do momento que você encara o assunto como de saúde já estamos em um bom caminho. É um ponto fundamental para o dia a dia das redações, sobre esse prisma você passa a entender melhor se deve ou não fazer a cobertura, se deve estender e qual o detalhamento. Você pensa se ao invés de suicídio estivéssemos falando de uma doença eventualmente rara, da Covid, o tratamento a ser dado é de certa forma parecido. A partir do momento que ganha dimensão, que é trazido a público, você coloca o aparato de informação necessário e acabar de vez com a ideia de que o suicídio é um tema policial”, concluiu.

Setembro Amarelo

A live foi realizada em virtude do Setembro Amarelo, mês de prevenção do suicídio, e aconteceu no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ela faz parte da campanha “É Preciso Conversar”, coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Assembleia. No próximo dia 24, às 13 horas, será realizada uma mesa-redonda virtual com o tema “Suicídio e depressão entre jovens e adolescentes”.

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio iniciada, em 2014, pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A campanha pretende estimular o diálogo sobre o tema na sociedade com a perspectiva preventiva. Por meio da página na internet é possível ter acesso a dados, material da campanha e agenda de debates nacionais sobre o tema.

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