ES pode ser referência no turismo de experiência

Modalidade proporciona interação real com o local visitado; Espírito Santo já conta com cerca de 100 experiências cadastradas

Por Gleyson Tete e Silvia Magna

Carlos Von na tela maior e Célio Sathler na tela menor
Comissão de Turismo debateu o assunto com o empreendedor Célio Sathler / Foto: Tati Beling

As potencialidades do Espírito Santo para desenvolver o chamado “turismo de experiência” foram debatidas na reunião ordinária virtual desta segunda-feira (31) da Comissão de Turismo e Desporto da Assembleia Legislativa (Ales). O colegiado recebeu Célio Sathler, sócio-fundador da startup Espírito em Rede, que busca conectar empreendedores e turistas, fortalecendo o turismo no Estado e a economia dos municípios capixabas.

“O serviço deixa de ser a prestação de um serviço comum para ser uma experiência memorial, que gera emoção e engajamento. É uma nova forma de fazer turismo, de interação real com o local visitado. Está ligado à aspiração do homem moderno, conectado com as coisas que façam sentido para ele. Estimula vivência e engajamento nas comunidades locais para gerar aprendizados significativos e memoráveis para quem visita nosso Estado”, explicou. 

Ele falou que a iniciativa surgiu há dois anos dentro de um evento promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES) que buscava formas de incrementar o turismo no Espírito Santo. De acordo com Sathler, já foram cadastradas cerca de 100 experiências e a expectativa é que um total 46 estejam disponíveis para os visitantes agora em setembro. 

Sathler destacou que a Organização Mundial do Turismo (OMT) aponta que a tendência para os próximos anos no segmento são o turismo rural, de natureza, de bem-estar, ecoturismo, de aventura e gastronômico, e que o Espírito Santo pode proporcionar essa gama de serviços por conta de suas belezas naturais e do perfil de colonização que o Estado teve, que acaba gerando uma diversidade de manifestações culturais. 

Dentre as potencialidades citadas que podem ser alvo de um turismo de experiência estão a confecção da panela de barro, a produção do brote (pão pomerano), do socol (iguaria italiana) e da moqueca capixaba. “O empreendedor produz o queijo, a cachaça e podem fazer como nas vinícolas do Sul do país em que a pessoa tem a experiência e depois consome o produto. O Espírito Santo pode virar referência nacional”, garantiu. 

Para o empreendedor, a pandemia do novo coronavírus vai mudar o hábito dos viajantes, que vão preferir se deslocar para destinos mais próximos. Ele acredita que o Estado, em virtude de sua geografia e localização privilegiada, pode se beneficiar desse movimento. “Quando olhamos os dados do IBGE que fala para quais regiões o turista brasileiro mais viajou é o Sudeste e depois o Nordeste. A maioria saiu do Sudeste para ficar no Sudeste. Eles buscam sol e praia, cultura, natureza e ecoturismo. É tudo que o Estado tem para ofertar para essas pessoas”, ressaltou.  

O deputadoTorino Marques (PSL) questionou o convidado sobre um suposto costume no Estado de se explorar o turista ao invés do turismo. Sathler respondeu que existem movimentos ligados à sazonalidade do turismo que podem dar essa impressão, mas que o importante é oferecer um leque de oportunidades aos viajantes. “A gente tem no Espírito Santo o turismo ‘0800’ e o que você precisa desembolsar uma quantia financeira. Temos turismo de frio e de calor, ou seja, 365 dias para trazer o turista para cá. Ele quer diversas opções de experiência”, pontuou.

Segundo o presidente da Comissão de Turismo, deputado Carlos Von (Avante), a alternativa apresentada pelo convidado tem capacidade de gerar emprego e renda para diversas famílias. “Você está citando oportunidades para os capixabas de norte a sul. É um momento propício em que estamos passando por dificuldades e se abre uma janela de oportunidades”, afirmou. “Queremos transformar o Espírito Santo no maior destino de turismo de experiência do Brasil”, concluiu Sathler. 

Ordem do Dia

Os deputados aprovaram as duas proposições que constavam na pauta. O Projeto de Lei (PL) 278/2019, de Renzo Vasconcelos (PP), declara o município de São Roque do Canaã como a “Capital da Cerâmica Vermelha” do Espírito Santo. O PL 340/2019, do Dr. Rafael Favatto (Patri), declara patrimônio cultural imaterial capixaba os grupos de danças dos imigrantes alemães e italianos do Estado. 

Comissão de Cultura

O turismo de experiência também foi tema da Comissão de Comunicação e Cultura, que recebeu o presidente do ES Convention Bureau e do Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos em Geral do Espírito Santo ( Sindiprom/ES), Alfonso Silva. Para o presidente do Convention Bureau, é necessário estruturar e profissionalizar o setor no Estado.

“A estruturação do turismo passa pela estruturação financeira do setor. É necessário um plano voltado para o turismo cultural. Não dá para falar em turismo sem falar em política pública de investimento. O comportamento social está mudando muito, principalmente por causa da pandemia e é fundamental que o turismo se adapte aos novos padrões de consumo”, disse. 

De acordo com o presidente do Comissão de Cultura, Torino Marques, o turismo de experiência é uma modalidade altamente vantajosa para o turista e para o Estado, pois “movimenta nossa cultura e economia e proporciona ao turista um passeio inesquecível”.

Origem

O turismo de experiência nasceu na Europa, com a ideia de despertar no turista o interesse em participar da colheita de azeitonas em países como Portugal e Itália. A partir daí vieram os cursos de gastronomia com os chefs franceses e nasceram os circuitos gastronômicos cuja fama rapidamente se espalharam pelo mundo. 

No Brasil, a experiência chegou primeiro no Rio Grande do Sul, onde foi implantado um projeto para divulgar a Região da Uva e do Vinho e, com isso, mostrar um roteiro diferenciado para uma região que já tinha um forte apelo turístico. Em 2006, a modalidade foi lançada pelo Ministério do Turismo em parceria com o Sebrae. 
 

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