Enivaldo: “atirar na polícia é atirar na cabeça do Estado”

Parlamentar enfatizou que quadro da violência ficou grave e matar tornou-se banal

Por Assessoria de comunicação

No dia em que a comunidade de segurança do Espírito Santo chora a perda de mais um de seus membros - morreu o soldado da Polícia Militar (PM) Afonso Miller, de 23 anos, baleado na cabeça no último dia 20, em São Torquato -, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) fez um contundente discurso da tribuna da Assembleia Legislativa afirmando que “todas as vezes em que criminosos atiram em um policial estão atirando na cabeça do Estado”.

 

O parlamentar enfatizou que o quadro da violência ficou tão grave e matar tornou-se tão banal, “que os assassinos, em face da permissividade da legislação, passaram a utilizar falhas da própria lei para praticar crimes usando os benefícios da legislação, exageradamente moderna para um País de terceiro mundo como o Brasil”.

 

Assim, Enivaldo começou sua análise sociológica da violência no estado e no País e aproveitou para atacar o que considera investimentos públicos errados em setores que deveriam estar entregues à iniciativa privada. E foi direto: “estamos assistindo a uma disputa patética de lideranças políticas pela paternidade da reforma do aeroporto de Vitória. Ao mesmo tempo, temos a notícia de que a obra consumiu mais de R$ 700 milhões de recursos públicos, e que o aeroporto agora será privatizado”.

 

Desvio de finalidade

 

Conforme enfatizado pelo deputado, se não é para ser gerido pelo setor público, “a obra do aeroporto deveria ter sido terceirizada desde o início e o dinheiro nela gasto deveria ser investido naquilo que é papel do Estado: saúde, educação e segurança. É vergonha essa disputa pela paternidade da obra. Eu nem lá vou. Deveriam, simplesmente, liberar os voos e pronto, em vez de ficarem tirando proveito de um flagrante desvio de finalidade do dinheiro público”.

 

Enivaldo atacou a elaboração dos orçamentos públicos: “é comum ver orçamento público com recursos para grandes obras, que poderiam ser terceirizadas, porque a infraestrutura econômica está sendo bancada pelo Estado, quando deveria ser feita pelos agentes econômicos, que dela tirarão proveito”.

 

Segundo o deputado, o que gera negócio não tem que ser gerido pelo Estado. “Ao Estado compete cuidar da saúde, educação e segurança. Não defendo quem pratica o crime, mas o crime é a revolta social contra a falta de condições de vida. Esse dinheiro do aeroporto poderia estar em áreas que atendessem às comunidades que não têm esgoto, água tratada, emprego. Por que investir em obra para gerar briga de listas de convidados para dizer que fez o aeroporto? Grandes coisas”, exclamou.

 

E foi além: “estamos numa região metropolitana onde os ônibus urbanos viajam com 80 passageiros em pé. É fácil viver na alta sociedade. Vai viver onde não tem esgoto e água tratada, onde um pai de família tem cinco pessoas dentro de casa e sem dinheiro para sustentar seus filhos. Isso cria as condições para esse quadro que está aí. Os criminosos passaram a agredir o Estado em seu posto mais avançado, que é a Polícia Militar. Temos que mudar isso, investindo nas áreas carentes, estendendo o braço do Estado para as comunidades reféns de criminosos”.

 

O deputado cortou na própria carne ao abordar a questão: “todos nós, quando queremos cargo político, é para fazer obras para aparecer. Precisamos mudar o raciocínio, precisamos de quem tenha capacidade de investir nas questões sociais e deixar as grandes obras, como o aeroporto, para a iniciativa privada”.

 

Legislação

 

Enivaldo atacou também o sistema de leis: “como legisladores, queremos legislar para um País que não existe. O Brasil é terceiro mundo, um País em desenvolvimento, sem regras de convivência social bem estabelecidas.  A educação não chegou a todos, há uma contradição entre estabelecer regras de comportamento social e de código de leis como se fôssemos primeiro mundo num País que ainda precisa de cuidar da convivência social que gera esse tipo de comportamento agressivo”.

 

Para o deputado, a violência sempre existiu, mas o quadro atual é exagerado: “com a evolução da comunicação, a banalização da aquisição de armas sofisticadas, com entradas facilitadas nas fronteiras, estamos diante de um exército de mal feitores fortemente armados. O bandido hoje não teme e não respeita a ação policial. Quando a polícia, que representa a sociedade organizada sob leis, vai fazer uma diligência, é comum ser recebida pelo crime de uma forma como jamais visto. Hoje, nenhum bandido tem receio de enfrentar e assassinar um policial, porque ali está descarregando ódio e uma revolta social que ele adquiriu no ambiente de abandono pelo Estado”.

 

Sempre destacando não defender criminosos, o deputado Enivaldo dos Anjos, entretanto, expressou sua compreensão de que a explosão da violência é uma forma de “a população sem educação de qualidade, sem justiça social, sem economia estável, reagir ao Estado. Cada bandido que atira num policial está atirando na testa do Estado. Está mostrando que o sistema de segurança, as leis existentes, a falta de atendimento social, comunidades abandonadas sem o braço do Estado, sem posto de saúde, sem transporte, sem direito ao ir e vir do cidadão, as filas nos hospitais, a discriminação social, tudo isso é por ele agredido em cima da força policial com um ódio que é um recado ao Estado”.

 

Por fim, Enivaldo dos Anjos disse: “todo crime contra um policial é um ataque ao Estado e nossas polícias não têm mais como suportar isso, porque convivem com uma sociedade sob um sistema de leis modernas, de um Estado moderno que, efetivamente, não somos, contra criminosos que agem dentro de regras medievais e sem leis. Nosso problema de convivência social foi agravado pela falta de apoio do Estado e oferta de condições de vida às comunidades carentes”.

 

Mais informações: Assessoria de comunicação

Deputado: Enivaldo dos Anjos

Telefone: (27) 3382-3800

E-mail: enivaldodosanjos@al.es.gov.br

CPI resgata animais em Cariacica
Cachorro com sinais de maus-tratos foi resgatado e tutora multada; no início da semana, a CPI recolheu uma cadela debilitada que estava nas ruas do município da Gran...
Comissão fiscalizará obras da Abido Saadi
Grupo também acompanhará serviços no Contorno de Jacaraípe, município da Serra
Comarcas: Musso pede diálogo com TJ
Presidente da Casa afirmou que espera uma reavaliação da Corte sobre a decisão diante de manifestações contrárias de gestores municipais e parlamentares
Sessão tem debate sobre álcool 70% nos ônibus
Proposta para instalar recipientes tramita em urgência e foi baixada de pauta para estudo sobre a constitucionalidade
CPI resgata animais em Cariacica
Cachorro com sinais de maus-tratos foi resgatado e tutora multada; no início da semana, a CPI recolheu uma cadela debilitada que estava nas ruas do município da Gran...
Comissão fiscalizará obras da Abido Saadi
Grupo também acompanhará serviços no Contorno de Jacaraípe, município da Serra
Comarcas: Musso pede diálogo com TJ
Presidente da Casa afirmou que espera uma reavaliação da Corte sobre a decisão diante de manifestações contrárias de gestores municipais e parlamentares