Vacinação contra a pólio vai até dia 31 no estado

Prorrogação de campanha visa ao aumento da cobertura vacinal, que está abaixo dos 60%, segundo a Secretaria de Estado de Saúde

Por Gabriela Knoblauch, com edição de Angèle Murad

Garoto recebe gotinha na boca
Campanha abrange a imunização de crianças menores de 5 anos / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A campanha de vacinação contra a poliomielite para crianças menores de 5 anos foi prorrogada até dia 31 de outubro, no Espírito Santo. O objetivo é ampliar a cobertura vacinal: até a manhã desta segunda-feira (17), 135.653 crianças haviam sido imunizadas, o que corresponde a 59% do público-alvo. Os dados são da Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa). 

Monitoramento de vacinação contra a pólio

A campanha nacional de vacinação contra a pólio terminou em 30 de setembro e apenas 60% do público-alvo recebeu a dose no país. A meta da campanha é atingir 95% dessa faixa etária. O Ministério da Saúde alerta que a vacinação contra a poliomielite continua em todos os postos de saúde.

A poliomielite ou paralisia infantil, como é popularmente conhecida, é uma doença infectocontagiosa, causada por um vírus transmitido por água e alimentos contaminados ou por meio de contato com uma pessoa infectada. Ele acomete em geral os membros inferiores e tem como principais características a flacidez muscular. A doença pode levar à morte ou gerar sequelas irreversíveis.

Atualmente ainda há risco de reintrodução do vírus da pólio no Brasil, e, por isso, as campanhas se mantêm como uma ação necessária de prevenção desde 1980. O último caso de paralisia infantil registrado no País foi em 1989. No Espírito Santo, a última notificação foi em 1987. Em 1994, o Brasil recebeu o Certificado Internacional de Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem.

Sequelas

Arte e aspas sobre Elias Wagner, sobre uso de cadeira de rodas desde os 2 anos por não ter tomado a vacina

“Desde os meus 2 anos vivo em uma cadeira de rodas por não ter tomado aquela gotinha”. O relato do cantor Elias Wagner, de 54 anos, reflete a vida de quem lida diariamente com as consequências da poliomielite, doença contraída aos 2 anos. 

“A gente morava na roça e a vacina não era como hoje. Era dada somente em um dia. Meu pai pegou carona para me levar ao posto para vacinar e o carro quebrou. Quando finalmente chegamos, o posto estava fechado. Uma semana depois, estava correndo e caí. Levantei e caí de novo. Meu pai foi me ajudar e viu que eu estava com febre. Tomei analgésicos e sete dias depois meu pai me levou ao médico e ele constatou a pólio”, conta. 

Assim como Elias, Alcimar Antônio Cezini, de 57 anos, enfrenta os desafios de conviver com as sequelas da paralisia. Alcimar contraiu pólio aos 14 meses de vida. Ele conta que a mãe acabou adiando a vacinação e a doença afetou os membros. “Consegui recuperar os movimentos dos braços. A sequela ficou mais na minha perna direita. Faço uso de bengala”, pontua. 

Além das sequelas físicas, Elias e Alcimar precisam lidar com situações que poderiam ter sido evitadas com a vacinação. “Eu tive muitos desafios e eu acho que o maior de todos é aquele que fica impregnado em você, os olhares, as pessoas duvidando da minha capacidade. Eu fui para escola com carrinho de mão. Não tinha cadeira de rodas. Éramos muito pobres”, recorda o cantor.

Já Alcimar destaca as dificuldades no mercado de trabalho. “Estudei, sou formado em técnico em contabilidade. O maior desafio foi quando eu fui atrás de emprego. Encontrei muitas portas fechadas”, lamenta.

Aspas e foto de Alcimar Cezini, para quem a vacinação tem de ser seguida à risca

Prevenção

A poliomielite não tem tratamento. A prevenção é feita por meio da vacinação. Também é importante a adoção de medidas preventivas contra doenças transmitidas por água e alimentos contaminados. 

No Brasil, a vacina é oferecida nos postos da rede municipal de saúde e durante as campanhas nacionais de vacinação. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a imunização deve ser iniciada a partir dos 2 meses de vida, com mais duas doses aos 4 e 6 meses, além dos reforços entre 15 e 18 meses e aos 5 anos de idade. Vale lembrar que, apesar de ser mais comum em crianças menores de 4 anos, a pólio também pode acometer adultos.

Arte com a imagem de uma criança tomando a gotinha e informações sobre a idade de cada dose

Para Alcimar, é inadmissível que hoje em dia um pai ou uma mãe não reflitam sobre a importância da vacina. “A criança está aos cuidados desses pais. O que vai ser dessa criança depende deles. Na minha época, a comunicação e os meios de transporte eram mais difíceis. Hoje em dia não tem mais desculpa. A vacinação tem que ser seguida à risca”, alerta.

Elias Wagner concorda. “As pessoas, quando eu conto minha história, me veem como vencedor. Até acham glória nisso. Mas eu digo que não tem glória, tem uma luta muito grande para fazer as coisas acontecerem. Às vezes, demasiada. Eu queria falar com os papais e as mamães que levem a sério a vacinação. Levem as crianças para vacinar. Seu filho vai te agradecer muito se fizer isso por ele. Viver em uma cadeira de rodas não é fácil”, recomenda. 

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