Deputado alerta para uso responsável de auxílio

Majeski criticou oferta de crédito consignado para o Auxílio Brasil e lembrou os altos juros cobrados nos empréstimos

Por João Caetano Vargas, com edição de Angèle Murad | Atualizado há 1 mês

Tela de celular exibe app do Auxílio Brasil
Discurso foi feito durante a sessão ordinária desta quarta-feira / Foto: Lucas S. Costa

O Congresso Nacional aprovou recentemente um aumento temporário no Auxílio Brasil, programa do governo federal para atender a famílias em situação de vulnerabilidade. De agosto até dezembro deste ano, serão repassados R$ 600 mensais; o valor pago anteriormente era de R$ 400.

Preocupado com a forma como essas famílias farão uso desse auxílio, o deputado Sergio Majeski (PSDB) fez um alerta durante o seu pronunciamento na sessão ordinária virtual desta quarta-feira (10), para que as pessoas não usem esse dinheiro para contrair empréstimos.  

“Eu considero isso um contrassenso imenso. Ainda que os consignados tenham juros mais baixos, esses juros podem chegar quase a 100%, ou seja, se uma pessoa contratar aí um empréstimo, e pode ser até 40% desse valor, ela é capaz de ter de pagar quase que o dobro de juros. Ao invés de auxiliar efetivamente essas pessoas mais necessitadas, esse auxílio pode jogá-las numa situação ainda pior do que elas já estão, as endividando acima da capacidade de pagamento”, alertou o tucano.

“É tão escabrosa essa ideia de abrir crédito consignado para auxílio emergencial, que os quatro principais bancos do Brasil não vão oferecer essa modalidade de crédito, porque entenderam que isso inclusive macula a imagem dos bancos, no sentido de que fica parecendo que os bancos são verdadeiras aves de rapina, querendo tirar dinheiro através de juros, daqueles que já não têm nada”, complementou.

Álbum de fotos da sessão

Majeski fez críticas às empresas que oferecem crédito financeiro, tentando seduzir pessoas que se encontram em situação vulnerável. “Eu acho que cabe a nós tentar conscientizar essas pessoas para que elas não caiam nessas armadilhas. Ontem mesmo, aqui no Centro (de Vitória) eu vi carros andando nas ruas, dessas financeiras, falando pras pessoas fazerem as fichas delas, oferecendo isso e aquilo, com juros obviamente ainda mais altos do que são os juros consignados”, criticou.

Os juros altos cobrados por essas instituições preocupam o deputado. “Então é um alerta que a gente precisa fazer à população, pra não cair nessa armadilha. Lembrando, essas pessoas podem pagar de 80% a 100%, ou mais de juros do que vão receber e esse auxílio acabar não ajudando em absolutamente nada”, avaliou. 

“A gente precisa orientar as pessoas e alertar pra não caírem nessa armadilha de empréstimo consignado. Vai tentando resolver as suas coisas ali da melhor forma possível e aproveite esse dinheiro que o governo federal está repassando às pessoas com necessidade da melhor forma possível”, finalizou.

Ordem do dia

Nove propostas constavam para análise em regime de urgência na sessão desta quarta. Mas o primeiro veto – aposto a projeto sobre monitoramento por vídeo no transporte escolar (PL 760/2019) – não foi relatado pela Comissão de Justiça, permanecendo, assim, trancada a pauta de votações. As matérias voltam à ordem do dia na próxima sessão ordinária, na segunda-feira (15).

Vetos e urgências que aguardam votação  

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