Atuação de farmacêuticos em debate na Saúde

Colegiado reuniu especialistas e abordou, entre outros temas, desafios enfrentados na pandemia, erros de medicação e cartel de farmácias

Por João Caetano Vargas, com edição de Angèle Murad | Atualizado há 4 meses

Auditório com deputados sentados atrás de mesa e patamar abaixo outras pessoas sentadas
Comissão de Saúde se reuniu na manhã desta terça-feira / Foto: Lucas S. Costa

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Ales) recebeu especialistas da área de farmácia em reunião realizada na manhã desta terça-feira (8). Uma dos convidados, a diretora administrativa do Instituto Acqua, Thaís Vieira Chiesa Regado, apresentou números que chamam a atenção para erros sobre medicação cometidos no país e no mundo. O Instituto Acqua é uma organização social que atua na gestão na área de saúde no país e no Estado, onde gerencia o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), localizado em Vila Velha

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo Chiesa, expõem uma situação alarmante: mais de 50% dos medicamentos são incorretamente prescritos, dispensados e administrados. A especialista também trouxe números fornecidos pelo Ministério da Saúde que apontam que os erros de medicação correspondem a 30% do total cometido em hospitais.

“Se nós observarmos que o hospital é uma empresa, que passa por serviço de hotelaria, recepção, segurança, passa por serviço de cozinha, passa por serviço médico, por serviço de toda a equipe multiprofissional e de enfermagem. E 30% dos erros estarem relacionados à medicação é muito grande”, opinou.

Desafios na pandemia

Dentre os principais desafios enfrentados no auge das internações na pandemia, a especialista citou o uso racional de medicamentos, por meio dos protocolos de utilização e dispensação dentro dos hospitais. “Nós chegamos a ter cinco protocolos de sedação, porque acabava um medicamento e tinha de partir para outro”, explicou Chiesa, que atuou em três hospitais durante a pandemia. 

A convidada também citou outros problemas vivenciados na crise sanitária, como a dificuldade para garantir o abastecimento dos estoques frente à falta de insumos; a gestão mediante o aumento dos custo dos materiais e medicamentos; a estruturação de novas farmácias em atendimento à demanda da Covid-19 nos hospitais, além da procura de profissionais para trabalhar durante a pandemia. “Estruturar uma equipe coesa não foi fácil nesse momento”, relatou.

Fotos da reunião

Otimização de recursos

Para demonstrar a eficiência e a economia gerada pela atuação do farmacêutico durante a crise, a especialista apresentou dados do Hospital Estadual Jayme Santos Neves, referência estadual no tratamento da Covid-19, localizado na Serra. Ao longo do ano de 2021 foram realizadas no hospital mais de 16 mil intervenções farmacêuticas, gerando uma otimização de recursos da ordem de R$ 850 mil.

Conselho Regional de Farmácia

O presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF-ES), Leandro Rodrigues Passos, falou sobre a importância dos profissionais na pandemia. “O farmacêutico é o profissional de saúde mais acessível à população e isso também é ignorado por parte de muitos, incluindo aí gestores públicos e privados. Ainda vejo assombrado, questionamentos sobre nosso papel na pandemia. O nosso segmento foi um dos únicos que não pararam por um único segundo, desde o início dessa crise”, afirmou.

O especialista explica que, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, o farmacêutico atua em diversas áreas e não apenas em drogarias e laboratórios de análises clínicas. “A farmácia possui cerca de 140 áreas regulamentadas de atuação, o farmacêutico é um profissional plural e a maioria das pessoas ignora esse fato”, afirmou.

O gestor também apresentou dados sobre o conselho, que atualmente conta com 6.706 farmacêuticos, 734 técnicos de laboratório e 2.199 farmácias inscritos.

Cartel

A reunião foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Dr. Hércules (MDB), que chamou a atenção para a dificuldade que vem sendo enfrentada pelos pequenos farmacêuticos no país com o “crescimento descontrolado” das grandes franquias de farmácia no país. 

“Infelizmente hoje existe esse grande cartel. Os grandes laboratórios não estão preocupados com isso, mas nós aqui na ponta estamos preocupados”, disse o parlamentar.

Ordem do dia

Três Projetos de Lei (PL) foram aprovados na reunião do colegiado. Destaque para o PL 4/2021, iniciativa do deputado Marcos Garcia (PV) que propõe a criação da “Tecla Samu”, aplicativo para garantir acesso das pessoas com deficiência auditiva e com impossibilidade de fala ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A matéria recebeu parecer favorável do relator, deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) e foi acolhida pelo presidente da comissão e pelo deputado Luciano Machado (PV).

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