Soluções tecnológicas ajudam cooperativas na pandemia

Conheça o que fizeram quatro cooperativas capixabas para vencer os desafios impostos pela crise sanitária e garantir a continuidade de suas atividades

Por Larissa Lacerda, com edição de Angèle Murad

Homem de chapéu agachado com tablet na mão
Tecnologia permite cooperativas agrícolas a controlar produção e atender consumidores / Foto: Getty Images

A pandemia da Covid-19 acendeu o debate sobre a necessidade de adaptação das organizações. O momento de incertezas fez com que as empresas repensassem as estratégias e recalculassem suas rotas. O distanciamento social se tornou necessidade, mas as rotinas de trabalho e de atendimento cobram o imediatismo e a rapidez na troca de informações. Isso exige atuação maior no ambiente digital.  Um dos reflexos da pandemia nas organizações foi a busca pela inovação e pela tecnologia como aliada. Com as cooperativas não foi diferente. Precisaram se adaptar e buscar alternativas para manter seus negócios.

Foi o que fez a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), na região serrana do Espírito Santo. Com 260 cooperados, que cultivam mais de 40 variedades de alimentos orgânicos por meio da agricultura familiar, a Coopram teve seu funcionamento diretamente afetado pela pandemia. O grande montante das vendas, cerca de 80%, vinha do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), interrompido com o fechamento das escolas na pandemia. 

Foto de produtos como morango e banana e informação de que Coopram produz 40 tipos de alimentos orgânicos

Uma das saídas encontradas para minimizar as perdas e garantir a comercialização dos produtos foi migrar os negócios para o ambiente virtual, com ênfase nas redes sociais. A Coopram criou um site para vendas on-line e impulsionou sua presença no Instagram e Facebook. Um passo inovador para a cooperativa, que até então não oferecia serviço de entregas. 

“Usamos a tecnologia a nosso favor, melhorando a comunicação entre cooperativa, produtores e consumidores. Criamos um site no qual o consumidor pudesse fazer suas compras e receber produtos com boa qualidade vindos diretamente do produtor, no conforto e segurança de sua casa. Também com esse projeto pudemos beneficiar o produtor e a cooperativa, formando um ciclo de cooperação”, avalia o presidente da Coopram, Darli José Schaefer.

Hoje, a Coopram entrega cerca de 30 cestas de produtos por semana nos municípios de Vitória, Vila Velha e Domingos Martins.

Três pessoas com sacolas em frente a caminhão da Coopram que traz plotagens de frutas, grãos

Modelo diferenciado

O modelo de negócios do cooperativismo se destaca por seus princípios. Não se baseia apenas em indicadores de lucro e competitividade empresarial. Em uma cooperativa, os trabalhadores são os donos da organização e os lucros são divididos entre eles. Pequenos produtores ou fornecedores de serviços se juntam para alavancar os negócios, seguindo a máxima de que “a união faz a força”. 

O setor é amparado por um órgão máximo de representação no Brasil, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), presente nos Estados para orientar e fomentar a prática cooperativista. 

No Espírito Santo, o setor está organizado em nove ramos: agropecuário, consumo, crédito, educacional, habitacional, produção, saúde, trabalho e transporte. De acordo com o sistema OCB/ES, atualmente, existem 134 cooperativas registradas no Estado, que geram mais de 9 mil empregos diretos. Dados do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2020 mostram que essas organizações movimentaram cerca de R$ 6,6 bilhões em 2019, ou seja, 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) local. Mais de 12% da população capixaba é associada a uma cooperativa. Ao todo, o segmento conta com 495.186 cooperados, segundo estimativa da OCB/ES. 

Arte com números sobre cooperativismo no ES e imagem na qual três pessoas se dão as mãos em degraus diferentes

Para o presidente do Sistema OCB/ES, Pedro Scarpi Melhorim, a tecnologia se fez presente nas cooperativas capixabas e auxiliou na adaptação à nova realidade, ajudando a criar hábitos. A prática deve permanecer mesmo após o período da pandemia.

“De repente, o teletrabalho deixou de ser uma possibilidade distante e passou a ser a realidade necessária. Atendimento via aplicativos, teleconsultas, e-commerce, entre outras, vieram a fazer parte dessa nova rotina”, pontua Melhorim.