Saúde do homem: é necessário quebrar tabus

Atleta Zimbrão conta como venceu o câncer e fala da importância de superar a barreira do preconceito

Por Nicolle Expósito, Márcia Tourinho e Patrícia Bravim

Vinicius Zimbrão aparece com roupa de ciclismo com paisagem ao fundo
Vinicius Zimbrão é embaixador do Novembro Azul / Foto: Reprodução/Instagram

Diante do diagnóstico de câncer aos 39 anos de idade, o jornalista e atleta Vinicius Zimbrão encontrou motivação para encorajar pessoas com a doença a lutar pela vida e incentivar a prática de hábitos saudáveis.

Tudo começou em 2014, enquanto fazia as sessões de quimioterapia para enfrentar um tumor no testículo que já apresentava metástase. Zimbrão criou nas redes sociais uma corrente de saúde, por meio da hashtag #desafiodozimbrao, em que o atleta estimulava as pessoas a compartilharem a prática de atividades físicas como corrida, ciclismo e caminhada.

A ação fez tanto sucesso que o Instituto Lado a Lado pela Vida, responsável pelo movimento Novembro Azul no Brasil, fez parceria com o jornalista, que virou embaixador da campanha, e hoje percorre o país fazendo palestras sobre a saúde do homem e a prevenção do câncer, em especial durante o mês dedicado ao tema.

Como ativista da causa, Zimbrão percebeu que um dos principais desafios para reduzir as estatísticas elevadas de prevalência de doenças evitáveis e melhorar os índices de expectativa de vida entre a parcela masculina seria quebrar tabus. “Eu acho que o homem é tão acometido por tantas doenças e tantos riscos por conta do machismo, dessa construção do homem não poder chorar, ser o provedor, de não se cuidar. Isso é uma maneira que vejo de levar essa conscientização e tentar desmistificar essa coisa de o homem ter que ser insensível. Eu acho que o que mata o homem é isso, não é a fisiologia, é o comportamento”, avalia.

Com o slogan “Viver inspira a cura”, Zimbrão mostra que é possível, sim, enfrentar esse vilão que muitas vezes é encarado como uma sentença de morte. “Vários cânceres têm cura, e os que não têm cura têm tratamento. A pessoa vive em tratamento e vive normalmente”, observa.

O embaixador do Novembro Azul também destaca a importância da prevenção. “Eu tento motivar as pessoas falando que não é preciso passar por uma situação difícil na vida pra mudar hábitos, atitudes, como alimentação saudável e exercícios. A gente sabe o que é certo e o que faz mal. O que eu tento levar pras pessoas é que elas não esperem passar um perrengue pra resolver mudar o estilo de vida”, finaliza.

Câncer de próstata

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tumores na próstata são o segundo tipo mais comum entre os homens no país, atrás do câncer de pele não-melanoma. Para cada ano do triênio 2020 e 2022 a entidade estima que sejam diagnosticados 65.840 novos casos da doença.

No Espírito Santo, nos últimos dois anos, o câncer de próstata tem sido a segunda causa de morte entre os homens, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado da  Saúde. De acordo com o levantamento, em 2018 foram 270 óbitos pela doença; em 2019, o número subiu para 293; e, de janeiro a setembro de 2020, foram registrados 238 casos. Homens com mais de 80 anos estão na faixa mais atingida, seguidos pela faixa etária entre 70 e 79 anos.

Na fase inicial os principais sintomas da doença são vontade frequente de urinar, com dor ou ardor; fluxo urinário fraco ou interrompido; presença de sangue na urina e/ou no sêmen e impotência. O histórico familiar da doença em pai, irmão e tio, estilo de vida e obesidade estão entre os fatores  de risco.

Preconceito

O oncologista Wesley Vargas Moura avalia que a partir da campanha Novembro Azul houve mais projeção nas discussões a respeito da saúde do homem. No entanto, avalia que ainda há um longo caminho para efetivamente conscientizar os homens sobre a importância da prevenção.

“Basicamente é uma questão cultural. Desde que se descobriu a importância da prevenção ao câncer de mama, e sempre se teve mais acesso a isso, as mulheres vêm sendo instruídas em programas de TV, rádios, jornais, revistas, nas redes sociais. Ao longo dos anos isso vem sendo colocado de forma mais corriqueira. Há menos de 10 anos pra cá, se começou a fazer também com o câncer de próstata. Mas isso esbarra aqui no Brasil e nos países latinos em certos preconceitos e certo desconhecimento também”, avalia Moura.

Para o especialista, é necessário investir em informação para quebrar o tabu machista e promover maciçamente campanhas educativas. “É preciso fazer um marketing mais intenso pra que as pessoas possam fazer o tratamento sem ficar com todas as sequelas”, considera o médico.

Acesso

Wesley Vargas Moura ainda aponta como fator limitante nos casos de câncer de próstata a dificuldade de acesso ao especialista. “Temos poucos urologistas e poucos hospitais com urologistas fazendo consulta. A Sociedade Espírito-Santense de Urologia não deve ter mais do que 60, 70 médicos. Então acaba ficando uma demanda muito reprimida, você não consegue uma consulta”, relata.

Outro ponto sinalizado pelo médico é o elevado custo dos exames, como o PSA, o toque retal e a ultrassonografia de próstata, além da baixa disponibilidade de profissionais para fazer o exame na rede pública.

O médico ainda sugere a criação de um programa de saúde pública voltado para a saúde do homem e atuação mais efetiva da  medicina de família, com foco na prevenção. “Ao visitar a família, o médico pode ser proativo e provocar o homem a se cuidar. Não podemos ser reativos e só esperar o paciente, mas sim, buscarmos o paciente. Os municípios e os poderes públicos precisam ter essa noção, porque é muito mais barato prevenir do que fazer o tratamento, que é muito oneroso para o Estado e tira a pessoa de sua vida produtiva”, afirma o oncologista.

Campanhas

No Espírito Santo iniciativas parlamentares buscam estimular a prevenção. Entre elas está a iniciativa do deputado Marcelo Santos (Pode), que institui novembro como mês de combate ao câncer de próstata (consolidada na Lei 11.212/2020). De forma similar, o deputado Dr. Rafael Favatto (Patri) propôs a Lei 11.211/2020 que institui as campanhas para a prevenção do câncer de mama, de colo do útero e de próstata denominadas, respectivamente, “Outubro Rosa” e “Novembro Azul”, a serem celebradas, anualmente, durante os meses de outubro e novembro.

Como forma de reforçar a campanha Novembro Azul, o Ministério da Saúde instituiu no último dia 11 de novembro um projeto-piloto que prevê a liberação  de incentivo financeiro federal para ações de cuidado integral à saúde do homem, não só acometidos pelo câncer da próstata, mas outras doenças que afetam a população masculina.
 

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