Deputados debatem atendimento eletivo em saúde

O retorno de cirurgias não emergenciais durante a pandemia dividiu a opinião dos parlamentares na sessão ordinária desta quarta-feira

Por Gabriela Zorzal

Sessão virtual
Assistência social, educação e segurança também foram tema de discursos / Foto: Rafael Brandão

A pandemia do novo coronavírus e suas consequências nas mais diversas áreas foi destaque nos discursos dos deputados durante a sessão ordinária virtual realizada nesta quarta-feira (24). Entre os temas, destaque para o atendimento na área da saúde para outras demandas que não sejam as relacionadas à Covid-19.

Confira as fotos da sessão

O deputado Delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos) destacou a necessidade de manter outros serviços funcionando na área da saúde. Pazolini falou sobre os atendimentos eletivos, aqueles que funcionam com agendamento prévio e que não são considerados emergenciais. 

“As pessoas continuam tendo outras necessidades na área da saúde. As estruturas de saúde não podem receber apenas pacientes de coronavírus. Os procedimentos eletivos foram suspensos. Infelizmente temos um número grande de vítimas da epidemia do descaso, pessoas que não estão conseguindo atendimento ou nem estão saindo de casa para procurar assistência por medo”, ressaltou o parlamentar, pontuando casos particulares de cirurgias cardíacas e ortopédicas.

O deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) também falou sobre as consequências da pandemia para as outras áreas da saúde. “As cirurgias eletivas precisaram ser suspensas e sabemos que isso vai ter um custo. Além disso, essa situação da pandemia vai gerar outras demandas, sobretudo para a área da saúde mental. Já estamos em diálogo com o governo para acompanhar o retorno de serviços de saúde que, embora não sejam considerados emergências, são muito importantes”, disse Mameri. Ele ainda lembrou que haverá o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental nesta quarta-feira (24). 

Sobre o tema, o deputado Doutor Rafael Favatto (Patriota) destacou que o retorno de cirurgia eletivas precisa ser uma decisão cautelosa. “Muitas cirurgias eletivas, embora não sejam emergência, necessitam de uma UTI à disposição caso haja alguma complicação. Esses procedimentos são aqueles que não colocam a vida do paciente em risco caso ele espere mais algum tempo. Além disso, colocar esse paciente, que está bem, dentro de um hospital atualmente pode representar um risco maior ao paciente. É preciso reforçar que é diferente da cirurgia de emergência. Existe uma reserva de UTI para as emergências e esses procedimentos estão acontecendo”, explicou Favatto. 

“A palavra é bom senso”, defendeu o deputado Hudson Leal (Republicanos). “Qualquer cirurgia ou mesmo o procedimento de anestesia gera uma imunodeficiência no paciente. Se puder esperar, melhor esperar”, opinou.   

Reabertura das escolas

Na área da educação, o deputado Sergio Majeski (PSB) registrou a preocupação com o retorno das aulas presenciais nas escolas. As aulas estão suspensas no Estado desde o dia 17 de março e, de acordo com o decreto em vigor, a suspensão vai até o dia 30 de junho. A Secretaria Estadual de Educação (Sedu) sinalizou que a suspensão deve ser prorrogada. 

“A curva continua aumentando, o número de contaminados e mortes só cresce. Diante disso, é um despropósito falar de retorno das aulas presencias em julho ou agosto. É claro que é preciso estudar esse retorno desde já, para organizar a rede de ensino. Mas esse momento poderia ser mais bem aproveitado para melhorar o material que é disponibilizado aos alunos, melhorar o acesso dos alunos em termos de tecnologia e capacitar os professores para essa nova demanda”, defendeu.  

Majeski afirmou que está encaminhando uma série de questionamentos à Sedu para acompanhar os debates sobre o retorno das atividades presenciais.

Juro Zero

O deputado Alexandre Xambinho (PL) sugeriu a ampliação do “Juros Zero”, programa estadual voltado para micro e pequenas empresas. A iniciativa permite que empreendedores capixabas tenham acesso a empréstimos de R$ 5 mil com carência e parcelamento especial, além da taxa de juros zerada. Xambinho sugeriu que o valor seja maior para dar fôlego ao setor. 

“Temos recursos parados no Fundo Soberano que podem ser utilizados para ampliar o Programa Juros Zero. Minha proposta é aumentar o valor do empréstimo de R$ 5 para R$ 15 mil. O Espírito Santo possui 420 mil micro e pequenos empreendedores. São quase 1 milhão de capixabas que vivem do pequeno negócio direta ou indiretamente. Tudo isso retorna ao governo do Estado em forma de empregos e de impostos. Precisamos dar maior apoio a esse ramo”, destacou o parlamentar. 

Concursos na segurança

O deputado Delegado Danilo Bahiense (PSL) destacou a situação da segurança pública no Estado. De acordo com o parlamentar, o Espírito Santo deveria ter 3.800 servidores atuando na área, mas, atualmente, conta com 2.050. Bahiense falou sobre um projeto de lei para permitir que os concursos da área sigam normalmente mesmo durante a pandemia.

“Os concursos públicos da área da segurança estão paralisados. Por isso, estamos trabalhando em uma proposta que reconhece os cursos de formação como serviço essencial para que possamos dar continuidade aos trâmites mesmo durante a pandemia. O efetivo policial precisa de reforço urgente”, explicou. 

Assistência social 

O deputado Carlos Von (Avante) comparou os números do Espírito Santo com os da Paraíba e cobrou políticas públicas de assistência social. 

“O Espírito Santo tem mais de 1.400 mortes por Covid-19, enquanto o Estado da Paraíba apresenta pouco mais de 700 óbitos. O número de habitantes é próximo, de infectados também, mas o número de óbitos é muito menor. Precisamos entender o que eles estão fazendo para ter um resultado melhor. Também quero destacar que uma das prioridades nesse momento tem que ser a garantia de alimentos. O Estado precisa dar uma assistência maior às famílias que necessitam, em especial com a doação de cestas básicas”, destacou Von.

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